Brasil quer participar de discussão de potências sobre sanções ao Irã

País pede também presença da Turquia, que faz parte do acordo de troca de material nuclear

estadão.com.br

18 Maio 2010 | 13h13

MADRI - O Brasil considera "normal e desejável" que seus diplomatas, junto das autoridades da Turquia, participem das negociações entre os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - EUA, Rússia, França, Reino Unido e China - e a Alemanha sobre o programa nuclear do Irã, segundo declarações do assessor para assuntos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia. As informações são da agência AFP.

 

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"Creio que seria normal que pelo menos em uma boa parte as negociações sejam abertas para o Brasil e para a Turquia. Seria normal e desejável", disse Garcia, acrescentando que o grupo deveria ser formalizado, uma vez que o 5+1, como são chamados os atuais negociadores, age em caráter informal.

 

O argumento de Garcia para que Brasil e Turquia integrem as negociações foi a flexibilização que ambos os países conseguiram do Irã no diálogo. "A verdade é que antes não havia interlocução, havia ameaças. E com ameaças, muitas vezes não queremos conversar", disse. Segundo Garcia, a iniciativa de Brasil e Turquia foi apoiada pela Rússia, pelo Qatar e pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

 

A declaração de Garcia ocorre ao mesmo tempo em que a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, anunciou que as potências nucleares entraram em acordo sobre um rascunho do novo pacote de sanções a ser aplicado sobre o Irã. Segundo a americana, o documento será apresentado ainda nesta terça para todo o Conselho de Segurança na seda da ONU, em Nova York.

 

Na segunda-feira, o Irã assinou um acordo com o Brasil e a Turquia para realizar a troca de urânio enriquecido por material nuclear pronto para ser usado em um reator de pesquisas. A proposta é semelhante à firmada entre a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e Teerã em outubro do ano passado, embora os iranianos tenham deixado o pacto na ocasião.

 

As sanções eram pretendidas pelas potências ocidentais, que temem que o Irã enriqueça urânio para produzir armas de destruição em massa. Elas dizem que a República Islâmica não coopera com a AIEA nas investigações sobre seu programa nuclear. Teerã, porém, nega e afirma que mantém as atividades atômicas apenas para produzir energia elétrica.

 

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O acordo de segunda levantou dúvidas sobre a viabilidade do pacote de sanções - o quarto a ser aplicado sobre a República Islâmica - já que várias nações o consideraram um passo positivo na crise nuclear do país. Os discurso dos países ocidentais que negociavam as sanções, porém, foi baseado no argumento de que o acordo não impediria a aplicação das resoluções, já que elas recairiam sobre o fato de que o Irã não deixaria de enriquecer urânio a níveis mais altos.

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