Brasil quer que ONU condene sanções unilaterais ao Irã

O chanceler brasileiro Celso Amorim disse ontem, em Nova York, que o Brasil apoia uma iniciativa de Rússia, Índia e China para extrair das Nações Unidas uma condenação a qualquer sanção unilateral ao Irã. Amorim salientou, entretanto, que a ideia de proteger os iranianos de medidas que não sejam as aprovadas pela ONU - prática dos EUA e da Europa - não partiu do Brasil.

AE, Agência Estado

23 de setembro de 2010 | 07h54

A agência de notícias Reuters publicou na terça-feira à noite uma entrevista com Amorim, na qual o chanceler afirmou que os Brics - Brasil, Rússia, Índia e China -, em reunião naquela manhã, haviam decidido propor à Assembleia-Geral da ONU um projeto de resolução proibindo sanções unilaterais contra países cujos casos estão sendo discutidos no Conselho de Segurança.

A proposta teria o objetivo de deslegitimar as penalidades aplicadas individualmente por EUA e Europa contra o Irã no futuro. Amorim creditou o plano de condenação à Rússia, com quem os iranianos têm estreitas relações comerciais. "Começamos a ter alguma coordenação sobre resoluções da Assembleia-Geral. Em alguns casos, estamos até mesmo contra sanções multilaterais", afirmou Amorim à Reuters.

Ontem, o discurso do chanceler ganhou tons mais suaves. "Esta resolução vai levar um mês ou dois meses sendo discutida. Os termos exatos eu não posso dizer. As sanções unilaterais, em geral, e no Conselho não nos agradam. Mas não estamos tomando nenhuma iniciativa."

Depois de dizer que as relações com os EUA não ficariam comprometidas pelo apoio a uma iniciativa contrária aos interesses americanos, Amorim disse a questão não poderia ferir a soberania americana. "Eles (os que aplicam as punições) é que estão ferindo a soberania dos outros. Se nós queremos vender frango ao Irã, que é uma coisa absolutamente normal e serve para a alimentação das pessoas, encontramos dificuldades por causa das transações bancárias. Isso é uma coisa que não é correta", afirmou. Questionado sobre o veto das potências à participação do Brasil e da Turquia nas negociações com o Irã, o chanceler Celso Amorim retrucou: "Nós nunca pedimos para mediar nada." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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