Ueslei Marcelino / Reuters
Ueslei Marcelino / Reuters

Brasil quer retomar comércio com o Irã

Chanceler Mauro Vieira se reunirá em Teerã com ministros iranianos e o presidente Rohani

João Villaverde, O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2015 | 19h18

BRASÍLIA - O governo Dilma Rousseff quer retomar o comércio bilateral com o Irã. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, viajou para Teerã, onde terá longa agenda com ministros e com o próprio presidente Hassan Rohani, entre amanhã e domingo.

O comércio entre Brasil e Irã, que chegou a ser de US$ 2,3 bilhões em 2011, caiu a US$ 1,4 bilhão em 2014 e continua em queda, como decorrência indireta das sanções econômicas aplicadas pelos EUA.

“A dificuldade de encontrar instituições financeiras para fazer o financiamento e também o pagamento de importações e exportações entre os dois países fez com que as empresas se retraíssem a partir de 2012”, explicou a embaixadora Maria Clara Carisio, diretora do departamento da Ásia Central Meridional e Oceania do Itamaraty, em entrevista concedida nesta quinta-feira.

Segundo ela, o acordo entre o Irã e as potências mundiais significará, aos poucos, a retirada de sanções aplicadas pelos americanos ao Irã. “Precisamos nos preparar para retomar o comércio bilateral tão logo que essas sanções comecem a cair”, disse Maria Clara.

Após a visita do ministro brasileiro, o Irã enviará seus ministros de agricultura e finanças para o Brasil, entre o fim deste mês e o início de outubro. Em seguida, o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, deve embarcar com uma comitiva de empresários para Teerã.

O ministro Mauro Vieira pode fazer parte dessa segunda visita, programada para ocorrer entre o fim de outubro e o início de novembro.

“Existe em todo o mundo, não só no Brasil, a expectativa de que o comércio normal com o Irã seja restabelecido na medida em que os bancos europeus, por exemplo, possam retomar o compromisso financeiro com os iranianos. O Irã tem muitos ativos congelados em instituições americanas e europeias e há todo um movimento de reaproximação empresarial na expectativa de que haja um descongelamento”, disse Maria Clara.

“O Brasil tem há muito tempo um relacionamento privilegiado com o Irã. Sempre defendemos o diálogo e a diplomacia como saída, como solução para o impasse criado pelo programa nuclear iraniano. O auge de nossa relação foi no governo Lula”, afirmou a embaixadora, em referência ao acordo, chamado Declaração de Teerã, acertado em 2010 entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o então primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, e o então presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

O acordo permitiria o enriquecimento do urânio do Irã por outro país. A proposta foi rechaçada pelas potências internacionais naquele momento, mas serviu de embrião para o entendimento alcançado agora pelo Irã e as potências mundiais.

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