Brasil recebe 80% da cocaína produzida pela Bolívia

Segundo relatório, traficantes lucrariam US$ 1 trilhão por ano com a droga

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h48

Quase 80% da cocaína produzida na Bolívia é enviada ao Brasil, segundo um relatório publicado neste domingo pelo jornal La Razón, de La Paz, com fontes oficiais dos dois países. Segundo diplomatas brasileiros, o principal comprador da droga boliviana é uma facção criminosa dos presídios de São Paulo. As quadrilhas de traficantes importam da Bolívia o equivalente a US$ 200 milhões por ano, de cocaína e pasta base, e exportam depois à Europa com lucro aproximado de US$ 1 trilhão, disseram as fontes. O relatório explica que a Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico (FELCN) da Polícia boliviana identificou cinco regiões de fronteira por onde a droga e as substâncias químicas usadas para purificá-la saem em direção ao Brasil. Todos ficam no departamento de Santa Cruz, na fronteira com Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. No final de maio, a FELCN descobriu na região um laboratório com capacidade para produzir 100 quilos de cocaína por dia, um dos maiores e mais modernos achados até agora no país. Na operação policial, foram presos seis colombianos e dois bolivianos. Segundo números da FELCN, até maio deste ano foram destruídos seis laboratórios destinados à fabricação de droga em Santa Cruz e mais de 650 pessoas foram presas por narcotráfico. De acordo com a informação fornecida recentemente à Efe pelo chefe da FELCN, coronel René Sanabria, todo mês a Bolívia exporta em média duas toneladas de cocaína e a polícia confisca outra 1,3 tonelada. No primeiro trimestre de 2007, foram confiscadas quatro toneladas de cocaína. Como se calcula que isso seja 40% do total produzido, teriam saído da Bolívia de janeiro a março outras seis toneladas. O presidente boliviano, Evo Morales, iniciou uma grande campanha para descriminalizar o cultivo da folha de coca, matéria-prima usada na fabricação de cocaína. Com objetivo de defender os usos tradicionais, culturais e medicinais da planta, Morales pretende aumentar os cultivos legais de coca no país de 12.000 a 20.000 hectares. O projeto enfrenta a ferrenha oposição dos Estados Unidos que, por meio de seu embaixador em La Paz, Philip Goldberg, afirmou várias vezes que uma maior produção de coca na Bolívia gerará mais cocaína.

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