Jose Cruz/Agencia Senado
Jose Cruz/Agencia Senado

Brasil reforçará segurança em embaixada de Caracas

País também faz planos para retirar cidadãos do território venezuelano em caso de agravamento da crise política e social

Tânia Monteiro e Carla Araújo / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2017 | 22h02

Diante do acirramento da crise na Venezuela e do aumento da violência, principalmente na capital, Caracas, o governo brasileiro resolveu reforçar a segurança dos funcionários que trabalham na Embaixada do Brasil naquele país e comprar dois carros blindados. A representação diplomática está reforçando também a segurança das instalações, com colocação de arames farpados e investindo para aprimorar a comunicação, já que muitas vezes o sinal de telefone no país é ruim e as ligações são interrompidas.

O Ministério das Relações Exteriores confirmou ao Estado que está adotando medidas de proteção da embaixada e para garantir o trabalho de seu pessoal. O Itamaraty não detalhou o que está sendo adquirido e limitou-se a responder que “confirma que o ministério está tomando medidas para melhorar a segurança dos postos e do pessoal que serve em Caracas”.

De acordo com fontes do governo, o maior risco para os funcionários da embaixada tem sido a violência de rua. Outra medida adotada pelo Itamaraty foi a mudança de horário de trabalho na embaixada para que os funcionários não tenham de sair do local de trabalho à noite.

A crise venezuelana tem causado, ainda, outro ponto de alerta ao governo brasileiro: a entrada em massa de imigrantes. Apesar de a Colômbia ser a principal rota de fuga dos venezuelanos por possuir uma fronteira menos inóspita que a brasileira e os dois países falarem a mesma língua, o governo brasileiro reconhece que a saída dos venezuelanos do país é um problema enorme em potencial.

A Casa Civil está preparando um plano de emergência que contará com o apoio das Forças Armadas para a retirada de brasileiros da Venezuela, caso a situação no país se agrave ainda mais e haja indicativo de um crescimento muito maior de migração. A avaliação de estrategistas do governo é que o pior impacto ocorrerá se houver uma ruptura total institucional na Venezuela, com risco de uma guerra civil.

Reunião. Na segunda-feira, uma nova reunião será realizada na Casa Civil para discutir o impacto da entrada de venezuelanos no Brasil, com a participação da prefeita de Boa Vista, Teresa Surita. Também estarão presentes representantes de oito ministérios – Saúde, Gabinete de Segurança Institucional, Justiça, Desenvolvimento Social, Relações Exteriores, Defesa e Trabalho. A Abin também participará da discussão.

No caso de brasileiros que morem na Venezuela e queiram deixar o país, se houver agravamento da situação, a Força Aérea Brasileira já tem um plano pronto de resgate. Mas qualquer ação dependerá de orientações do Ministério da Defesa, que definirá se o governo deve agir, quando, onde e quantas pessoas devem ser resgatadas.

O número real de brasileiros que vivem na Venezuela é desencontrado. Oficialmente, são 17 mil que estariam legalmente no país. Mas a estimativa é que, na verdade, mais de 30 mil brasileiros vivam lá.

Na fronteira em Roraima, é comum a travessia também de venezuelanos que entram e saem do Brasil para comprar produtos que estão escassos no país vizinho e também atendimento médico e hospitalar. Cidades como Pacaraima e Boa Vista, em Roraima, e Manaus, no Amazonas, também já estão enfrentando problemas de abastecimento e de atendimento em hospitais e unidades de saúde, além de outros sistemas públicos. Nesses três locais, já há saturação. Por isso mesmo, ações emergenciais estão sendo preparadas para melhorar o recebimento de brasileiros e venezuelanos.

Um balanço apresentado pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência mostra que, de 28 de julho a 7 de agosto, 2.430 venezuelanos atravessaram a fronteira e 835 retornaram, ou seja, 1.595 permaneceram no Brasil. A situação da região tem sido motivo de preocupação também para as Nações Unidas. O Alto Comissariado para Refugiados (Acnur) já enviou representantes à região para avaliar as condições de saturação das cidades e ajudar a tentar oferecer auxílio para ações humanitárias.

 

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