Miraflores Palace/Handout via REUTERS
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Brasil rejeita tentativa de Grupo de Lima de punir chavismo na ONU

O governo brasileiro não aderiu a um projeto de resolução que países latino-americanos entregaram nesta segunda-feira, 3, aos membros da ONU para condenar as violações de direitos humanos na Venezuela

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2018 | 20h27

O governo brasileiro não aderiu a um projeto de resolução que o Grupo de Lima entregou nesta segunda-feira, 3, aos membros da ONU para condenar as violações de direitos humanos na Venezuela. O Estado apurou que, desde a semana passada, os países latino-americanos do Conselho de Direitos Humanos da ONU iniciaram consultas para usar a nova reunião do órgão, na semana que vem, para pressionar o regime de Nicolas Maduro

O projeto de resolução condena os abusos do governo e pede que a ONU realize de forma periódica avaliações sobre crimes cometidos pela Venezuela. A resolução, se aprovada, seria uma forma incrementar os ataques internacionais contra o regime, ampliando seu isolamento. 

Apesar de o Grupo de Lima estar unido na pressão contra Maduro, os diplomatas latino-americanos foram pegos de surpresa com a decisão do Brasil de não se juntar à iniciativa. A recusa em apoiar o texto também chamou a atenção dos europeus, que acreditavam que o maior país da América Latina teria um peso importante na pressão sobre o chavismo. 

O gesto brasileiro foi interpretado como um sinal de que, em plena campanha eleitoral, o governo de Michel Temer teria outras prioridades. Além do Brasil, fazem parte do Grupo de Lima Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru. 

Oficialmente, o Itamaraty explicou ao Estado que o motivo de não aderir ao projeto era outro, mas tampouco esclareceu de forma detalhada quais eram as razões. “O Brasil não é do núcleo duro da resolução e, portanto, não patrocinará a iniciativa, pois está concentrando seus esforços, no momento, no âmbito da Organização dos Estados Americanos (OEA)”, disse a chancelaria brasileira em nota enviada à reportagem.

“Estamos acompanhando com atenção e interesse as tratativas em Genebra para determinar nossa posição”, ponderou. “Esse fato, porém, não significa que o Brasil tenha deixado de ter grande preocupação, já externada, com a situação dos direitos humanos na Venezuela”, garantiu a diplomacia do Brasil.

Direitos Humanos na Venezuela

Desde o início da crise na Venezuela, é apenas a segunda vez que os governos conseguem chegar a um acordo sobre uma resolução para ser apresentada na ONU. No início do ano passado, coube ao Paraguai apresentar um projeto. O governo paraguaio foi acusado por Maduro de agir em nome dos EUA. 

Como representante do grupo de países não alinhados, a Venezuela conseguiu o apoio de russos, chineses, africanos e de ditaduras pelo mundo para impedir, com sucesso, que o texto paraguaio fosse aprovado. 

Desta vez, com a crise se ampliando e uma maior visibilidade internacional, a esperança do Grupo de Lima é de que o texto seja aprovado. Mas Caracas promete não ficar em silêncio. O Estado apurou que Maduro usará o mesmo encontro da ONU para propor uma resolução que condene qualquer ingerência externa em assuntos considerados domésticos. 

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