REUTERS/Marco Bello
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Brasil reunirá representantes de 12 países para pressionar por eleições na Venezuela

Deputados venezuelanos visitam o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o chanceler Aloysio Nunes

Lu Aiko Otta / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2017 | 19h45

Chefes dos Parlamentos de pelo menos 12 países virão a Brasília no dia 23 de maio para uma reunião de cúpula que pressionará o governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro a realizar as eleições regionais que deveriam ter ocorrido no final do ano passado. A data, ainda tentativa, foi acertada nesta quarta-feira durante a visita de um grupo de deputados venezuelanos ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e ao ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes.

“A crise que há na Venezuela pode ser superada com uma mudança de modelo”, disse ao Estado o líder da maioria na Assembleia Nacional, Stalin González. “Essa mudança de modelo político passa pelas eleições.” Ele agradeceu o gesto do Brasil.

A cúpula será realizada na Câmara dos Deputados, segundo informou o deputado Rubens Bueno (PPS-PR), um dos articuladores do encontro. Estão programados uma sessão solene e dois painéis que discutirão a situação no país vizinho. “Queremos pressionar pelo pronto restabelecimento do calendário eleitoral”, afirmou o parlamentar.

González ressaltou que os parlamentares venezuelanos tiveram 14 milhões de votos, mas essa  legitimidade não é reconhecida pelo governo de seu país, que ignora os pedidos para a realização do pleito. “É preciso que haja eleições, para que a democracia venezuelana não morra sob um governo autoritário”, afirmou.

Na terça-feira, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, propôs que a venezuela seja suspensa da entidade, caso não realize as eleições. Ele avaliou que o país descumpriu todos os artigos da Carta Democrática Interamericana.

Para o deputado venezuelano, essa é uma forma de pressão importante, assim como a reunião de parlamentos que haverá no Brasil. “Temos de usar todas as ferramentas que estão ao nosso alcance para pressionar pela realização das eleições”, frisou.

Parlamentos de todos os países da América do Sul foram convidados a vir ao Brasil. Porém, há dúvidas quanto à presença daqueles de linha política mais próxima à da Venezuela, como o Equador e a Bolívia. O Uruguai também é uma dúvida, segundo Rubens Bueno. Também foram convidados os parlamentos de Itália, Portugal e Espanha.

Em entrevista ao Estado no sábado, o ministro Aloysio Nunes avaliou que a Venezuela já se tornou uma ditadura. Mas, reconheceu, há limites para a atuação do governo brasileiro nesse campo. O país tem dado acolhida aos venezuelanos e mantém sobre a mesa uma oferta de ajuda humanitária que o governo Maduro não aceitou. Uma pressão política mais contundente, como a aplicação da Cláusula Democrática do Mercosul, não é consenso entre os sócios do bloco.

 

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