Brasil se apoia no Mercosul e na Unasul para negar ruptura

Bastidores: Lisandra Paraguassu

O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2013 | 02h07

O governo brasileiro avalia que não há motivos, neste momento, para ter dúvidas sobre a continuidade do processo democrático na Venezuela. O Brasil apoia-se no fato de que nenhum dos países membros do Mercosul ou mesmo da União das Nações Sul-americanas (Unasul) até agora questionou o processo de transição na Venezuela para mostrar que há respaldo à tese de que, pelo menos por enquanto, não há nenhuma ameaça à democracia no país. Haveria, sim, "dúvidas sobre a interpretação da Constituição".

Uma das bases para essa avaliação seria o fato de que a oposição, apesar de questionar a decisão dos chavistas de apostar numa extensão do prazo para a posse de Chávez com uma ausência temporária de 90 dias, usam os termos "atropelo" e "violação", mas evitam a palavra "golpe".

Duas razões levam a diplomacia brasileira a ser cautelosa na avaliação do cenário venezuelano. A primeira é a gravidade da doença de Chávez. Apesar de dar-se como certo que o presidente está em situação difícil, ninguém sabe exatamente o grau de comprometimento e se é possível que ele volte a governar. O Itamaraty evita fazer avaliações que possam passar a impressão de que não conta com a recuperação de Chávez. A segunda é o fato de o presidente venezuelano ter sido democraticamente reeleito há três meses com uma diferença de 1,5 milhão de votos sobre o segundo colocado, Henrique Capriles.

O Itamaraty ainda não sabe o que acontecerá amanhã em Caracas, no momento em que o presidente deveria tomar posse. Não está previsto o envio enviado de nenhum representante brasileiro além do embaixador na Venezuela.

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