Brasil só reconhecerá rebeldes líbios após aval da ONU

Itamaraty aguardará parecer de comissão das Nações Unidas para formalizar relação com conselho anti-Kadafi

Lisandra Paraguassu, O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2011 | 00h00

BRASÍLIA

Apesar de ter participado do encontro dos chamados "países amigos da Líbia", em Paris, o Brasil vai esperar pelas Nações Unidas para reconhecer o Conselho Nacional de Transição (CNT) como legítimo representante de Trípoli.

A reunião, convocada pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, pretendia discutir maneiras de ajudar na reconstrução da Líbia "pós-Muamar Kadafi".

No informe das posições do Brasil divulgado ontem, depois do encontro, o Itamaraty deixa claro que espera pela manifestação do Comitê de Credenciais da ONU sobre quem fala pela Líbia, mesmo tendo participado de uma reunião na qual o CNT era o interlocutor principal. A decisão de não reconhecer ainda o conselho foi discutida e aprovada pela presidente Dilma Rousseff e não deve ser mudada antes da Assembleia-Geral das Nações Unidas, no final do mês.

Reticente desde o início com o encontro, o Brasil também mostrou sua desconfiança sobre outros mecanismos para discutir a reconstrução da Líbia. A posição do Itamaraty é que o mandato para deliberar sobre a situação líbia e a reconstrução do país é do Conselho de Segurança da ONU.

"O conselho é a instância primordial para o tratamento de questões de paz e segurança, conforme estabelece a Carta da ONU. O Brasil entende que mesmo a forma de implementação de resoluções do Conselho de Segurança deverá sempre ser objeto de deliberação por parte do próprio Conselho", defendia a nota da chancelaria brasileira.

O Brasil tem interesse direto na reconstrução líbia, mas especialmente na manutenção dos contratos de empresas brasileiras. Apesar dos contatos que vêm sendo feitos pelo Itamaraty com os rebeldes, os acordos ainda não estão garantidos.

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