Brasil suspende reabertura da embaixada em Bagdá

O Ministério das Relações Exteriores suspendeu a reabertura da embaixada do Brasil em Bagdá, prevista para ocorrer ainda neste ano. Fechada desde a Guerra do Golfo em 1991, a representação só voltará a funcionar quando o clima político e diplomático no Oriente Médio, esquentado pelos atentados terroristas aos EUA, der sinais de normalidade. A decisão foi divulgada hoje pelo diplomata Pedro Motta na audiência da Comissão de Relações Exteriores da Câmara que discutiu o conflito entre judeus e palestinos."A situação complicada impede a reabertura da embaixada", disse o diretor do Departamento da África e Oriente Próximo. Sem um endereço no Iraque, o Itamaraty vai continuar enfrentando dificuldades para aproximar empresas brasileiras e órgãos iraquianos dispostos a fechar negócios. Com a decisão, a intenção do governo em repetir os números de exportação para o Iraque obtidos nos anos 70 não será cumprida. Na época o Brasil chegou a exportar US$ 4 bilhões por ano em alimentos, máquinas agrícolas e produtos manufaturados. Hoje, o valor é de cerca de US$ 300 milhões.Na avaliação do Itamaraty, os países árabes envolvidos em conflitos com Israel e Estados Unidos são ótimos parceiros comerciais. Neste ano, a exportações para o Líbano devem atingir US$ 75 milhões e para a Síria, US$ 30 milhões.Os exportadores brasileiros também decidiram recuar na tentativa de aproximação com os países da área. "Vamos esperar, pelo menos 90 dias, para saber se fechamos novos negócios", afirmou o empresário Cláudio Martins, diretor-executivo da Associação Brasileira de Exportadores de Frangos.SolidariedadeNa sessão realizada hoje, os deputados da Comissão de Relações Exteriores sugeriram ao governo a repetição dos gestos de solidariedade, demonstrados no caso dos atentados terroristas nos Estados Unidos. "O povo palestino também merece solidariedade devidos às ações terroristas de Israel", disse o deputado Haroldo de Lima (PCdoB-BA). "Não pode haver dois pesos e duas medidas."Quem abriu um sorriso foi o embaixador da Palestina no Brasil, Musa Amer Odeh, também presente à sessão. "Não queremos que ninguém morra, de um lado ou de outro", disse. "Nós estamos prontos para negociar a segurança e a desocupação israelense." Os parlamentares da comissão, a maioria de partidos oposicionistas, defenderam ainda que o presidente Fernando Henrique Cardoso telefone para os principais líderes mundiais a favor da desocupação israelense dos territórios árabes.O descumprimento das resoluções das Nações Unidas, na avaliação dos deputados, é o fator que alimenta o terrorismo e os grupos extremistas. A resolução 242, de 1967, determinou a retirada das tropas israelenses de 44% do território destinado à criação da Palestina, em 1947. Segundo o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), mesmo sem forças militar ou econômica, o Brasil deve firmar sua autoridade no debate internacional.O respeito do País e a marca humanitária adquirida no exterior devem, segundo Rebelo, aumentar a "diplomacia dos gestos". O parlamentar chegou a propor ao Itamaraty que contribua para a realização de uma partida de futebol entre as seleções da Palestina e de Israel. Rebelo disse que a proposta foi feita à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em 1994, pelo então vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore. "Só vocês têm condições de fazer isso", teria dito o democrata americano.

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