Brasil tem participação garantida no petróleo do Iraque

O tesouro do Iraque, 112 bilhões de barris de petróleo, vale US$ 3,36 trilhões. Pode valer ainda mais que isso, US$ 5,70 trilhões, referentes a 190 bilhões de barris, de acordo com uma estimativa dos serviços de inteligência do Ocidente feita entre 2000 e 2001, baseada na coleta de dados de satélites de sensoreamento remoto.O Brasil tem participação garantida em Majnoon, a principal jazida iraquiana, por força de um acordo firmado há 24 anos entre a Petrobras Internacional S/A (Braspetro) e a Companhia Nacional de Óleo do Iraque (NIOC).O compromisso binacional, renovado em 1988, está inativo. Durante os governos de Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso a diplomacia brasileira tratou de manter-se afastada dos negócios com o regime de Saddam Hussein.O campo de Majnoon foi descoberto em 1977 por técnicos brasileiros da Braspetro. O complexo de 26 grandes poços explora uma das maiores províncias petrolíferas do mundo, com reservas confirmadas de 20 bilhões a 30 bilhões de barris. A estatal brasileira atuava por meio de um contrato de risco."Pelos padrões atuais de consumo internacional o estoque total do eixo sul-norte do país permitirá exploração por mais de um século", acredita o engenheiro de minas José Álvaro Hidolino, pesquisador e consultor da ONU.Hidolino sustenta que nos planos do ataque dos Estados Unidos ao Iraque "estão contemplados procedimentos destinados a preservar a segurança, a capacidade de extração, a estocagem e a distribuição do petróleo, o despojo mais cobiçado da guerra em final de preparo".O Iraque tem cinco vezes mais petróleo que os Estados Unidos e está abaixo apenas da vizinha Arábia Saudita, detentora dos maiores sítios conhecidos de energia fóssil. A capacidade industrial iraquiana está comprometida. "Grande parte dos danos sofridos nas guerra contra o Irã (de 81 a 88) e do Golfo (91) jamais foram reparados", afirma o engenheiro Hidolino. Essa condição precária fez despencar a produção diária, do patamar ideal de 3,5 milhões de barris para 2,8 milhões.Ao longo de um eixo que acompanha a fronteira leste, com Irã e Kuwait, estão instalados os 73 campos de extração do país. De acordo com a Agência de Informações para Energia dos Estados Unidos, apenas 24 desses sítios se mantêm em condições operacionais regulares. "Existem muitas divergências e incertezas em relação ao óleo iraquiano, mas todos os especialistas são unânimes em reconhecer que um resgate rápido das principais províncias exigirá U$ 5 bilhões de investimentos e 26.300 horas de trabalho, três anos de atividade, dia e noite", afirma o perito brasileiro da ONU.Além da companhia estatal de Bagdá, apenas duas corporações estrangeiras atuam nos campos: a empresa russa Lukoil, que assinou em 1997 um contrato de 23 anos para reconstruir os poços do da região sul e expandir o sistema de extração; e a francesa TotalFinaElf, que está instalada no supercampo de Majnoon encarregada de moderniza-lo até março de 2004.O acordo da Braspetro sobre Majnoon e Nahr Umr, ambos na margem esquerda do Rio Tigre, é uma indenização pelo cancelamento unilateral do contrato de risco assinado entre os governos do Brasil e do Iraque. A companhia, braço internacional da Petrobras, executou a prospecção e descobriu a imensa reserva em 77. Teria o direito de explorá-la.Dois anos depois, sem explicações, o ministro do Comércio, Hassam Ali, comunicou ao então ministro da Indústria e Comércio do Brasil, Camilo Pena, que o acordo era "letra morta". Prometeu US$ 100 milhões de indenização e uma compensação comercial na forma de prestação de serviços naqueles dois campos e em outros quinze, considerados superpesados, com mais de 1 bilhão de barris. Esse compromisso ainda está vigorando. A Braspetro está fora do Iraque há doze anos.

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