Brasil tenta amenizar críticas ao regime sírio em massacre de Qusayr

Diplomacia brasileira pede que resolução que será votada na ONU não trate dos crimes apenas de um lado

Jamil Chade, correspondente em Genebra,

28 Maio 2013 | 17h42

GENEBRA - O governo brasileiro vem tentando amenizar as críticas contra o regime de Bashar Assad no massacre de Qusayr e pede mudanças na resolução que será votada na quarta-feira na ONU para que as acusações não sejam exclusivamente direcionadas ao governo. Damasco acusou nesta terça-feira, 28, a ONU de estar "imaginando massacres" e disse que os EUA estão organizando um "filme ficção de Hollywood" sobre o que ocorre na Síria.

Na quarta-feira, o Conselho de Direitos de Humanos da ONU se reúne em caráter de emergência para avaliar a situação na Síria e o massacre em Qusayr. A reunião foi convocada por EUA, Turquia e Catar. Rússia e China deixaram claro que não viam a reunião com bons olhos e poderiam atrapalhar a preparação da conferência de paz que deverá ocorrer em Genebra, em junho.

Os governos de Paquistão, Cuba e China apelaram para que a resolução seja mais "equilibrada" e condene também a ação da oposição. No texto original, no entanto, não há qualquer referência aos rebeldes.

Na última reunião sobre a resolução, presenciada pelo Estado, o Brasil pediu uma revisão do conteúdo do texto para adotar uma resolução mais "equilibrada". O Itamaraty não deixará de denunciar a violência e indicar que o principal responsável em proteger o cidadão deve ser o governo. No entanto, a diplomacia brasileira não aceita uma resolução que trate dos crimes apenas de um lado e considera que a aprovação do documento não ajuda a avançar na negociação de paz.

O governo brasileiro também já indicou que não aceitará que se crie a mesma situação que foi montada no caso da Líbia, justificando uma invasão. Em um dos trechos da resolução que será votada, por exemplo, o Itamaraty pediu que o termo "massacre de Qusayr" seja substituído por "toda a violência".

Em outro trecho, o esforço para não usar a resolução exclusivamente contra Assad fica claro. No texto original, os governos condenavam o envolvimento de combatentes estrangeiros "lutando pelo regime sírio", em referência aos iranianos e ao Hezbollah. O Brasil, porém, pediu que fosse condenado o envolvimento estrangeiro "em todos" os grupos armados. Europeus e sauditas rejeitaram incluir no texto uma referência direta aos estrangeiros lutando pela oposição.

Imaginação. Durante o debate sobre a resolução, o governo sírio não poupou ataques contra a ONU. Damasco acusou os três países que convocaram a reunião de estarem organizando um "filme de Hollywood". Os ataques também foram direcionados contra a alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay. Segundo os sírios, ela "imagina histórias com sua bola de cristal".

 
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