Brasil transfere embaixada em Damasco para o Líbano

Avaliação do Itamaraty é a de que situação na capital síria é perigosa demais; missão vai funcionar em Beirute

LISANDRA PARAGUASSU , RAFAEL MORAES MOURA , BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2012 | 03h03

O governo brasileiro retirou, na madrugada de ontem, os funcionários da Embaixada do Brasil em Damasco. Os diplomatas foram levados por terra para Beirute, no Líbano, onde trabalharão na representação diplomática para tentar atender as demandas de cidadãos brasileiros que permanecem na Síria. Na capital do país ficará apenas um funcionário local, Salim Joseph Sayegh, que responderá pelos trabalhos consulares.

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou que conversou ontem com o embaixador na Síria, Edgard Casciano, e teve informações de que todos os funcionários brasileiros estavam bem e já em segurança em Beirute. "A situação está se deteriorando, há um grau elevado de imprevisibilidade sobre o que poderá ocorrer nos próximos dias, de maneira que evitar viagem a Síria, no momento, seria o mais prudente", disse o chanceler.

"Com esse nível de violência, a prioridade é um cessar-fogo. Damasco vem enfrentando um combate cada vez mais violento nas ruas, até mesmo a região onde fica a embaixada começa a fazer parte de uma zona conflagrada", disse.

De acordo com o ministro, a decisão de transferir a embaixada ocorreu após contatos frequentes entre Casciano, a Liga Árabe e embaixadas de outros países da região.

 O Itamaraty possuía um plano de saída há pelo menos dois meses, mas esperava um sinal do embaixador de que os riscos haviam aumentado.

A comunidade brasileira na Síria é de aproximadamente 3 mil pessoas, a maior parte descendentes de sírios que voltaram ao país. "Todos aqueles que pedirem apoio para partir, obviamente, nós daremos", afirmou Patriota.

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