Fábio Motta/Estadão
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Brasileira agredida e presa no Equador desembarca no Rio

RIO - A cientista social e jornalista Manuela Lavinas Picq chegou por volta de 6h30 deste sábado, 22, ao Rio de Janeiro. Manuela veio do Equador depois de ter seu visto de permanência no país cassado por autoridades executivas equatorianas. No último dia 13, ela foi agredida e detida por policiais em uma manifestação na capital Quito, da qual participava junto com seu namorado, Carlos Pérez Guartambel, presidente de uma associação pró-indígena. Ainda no aeroporto, afirmou que vai levar o caso à corte interamericana de direitos humanos, questionando a suspensão de seus direitos migratórios de maneira considerada por ela "arbitrária". 

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

22 de agosto de 2015 | 08h22

"Meu visto foi cancelado de modo completamente arbitrário, sem nenhuma justificativa. Eu nunca fui informada. Administrativamente, não seguiu os trâmites a nível jurídico, não teve nenhuma fundamentação", disse ela, que teve o pedido de deportação negado pelo poder judiciário e afirma ter caído em um "limbo jurídico", que a fez voltar para o Brasil. No Rio, Manuela deve fazer exames oftalmológicos porque passou sete horas sem enxergar com o olho esquerdo depois de ter sido agredida por policiais durante o protesto no qual foi detida. 

"Ainda estou me recuperando dos golpes da semana passada", disse Manuela. Para tentar voltar ao país, ela vai pedir no Brasil um visto vigente no Mercosul. Caso ele seja negado, vai solicitar o reconhecimento da união estável com o namorado e um visto de permanência para os indígenas equatorianos, já que esses povos têm autonomia (inclusive jurídica) sobre seus próprios territórios. "O Equador é um Estado plurinacional, onde os povos indígenas são autônomos. É um caso que ainda não foi levado à Justiça, Por que não? Seria criar precedentes", justifica. 

Manuela se disse aliviada ao chegar no Brasil. "Já fui embora daqui. Estou livre", pensou, ao decolar do Equador. "Por mais que tenham muitos problemas no Brasil, a gente continua em um estado de direito. Mesmo com a crise da Operação Lava-Jato, as pessoas estão na cadeia. No Equador, as pessoas que fizeram coisas piores e eram ministros continuam sendo ministros e pedindo autoridade sobre o sistema judiciário", declarou. 

Há sete dias, o Equador está em estado de exceção por causa das atividades do vulcão Cotopaxi, mas na prática, Manuela diz que a situação abriu caminho para a militarização do país e para restrições às atividades de comunicação. "Meu caso era só a ponta do iceberg. Tem um estado de exceção desde o sábado em vigor no país e mais de 100 pessoas foram detidas de forma ilegal".

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