Brasileira é internada em clínica na Suíça

Quadro mental de jovem que simulou ataque neonazista é ?complicado?

Jamil Chade, ZURIQUE, O Estadao de S.Paulo

29 de maio de 2009 | 00h00

De potencial escândalo político para um drama familiar.AbrasileiraPaula Oliveira foi internada ontem em um hospital psiquiátrico em Zurique, na Suíça, três meses depois de ter simulado um ataque neonazista. Fontes do Judiciário local confirmaram a informação, mas garantiram que a internação não foi feitapor ordem judicial.A decisão teria partido de médicos e da própria família. EmZurique, a notícia causou surpresa por parte de amigos e conhecidos. Em fevereiro, Paula, de 27 anos, foi protagonista deuma saia-justa entre a diplomacia suíça e brasileira. Ela afirmouà polícia local que havia sido vítima de um ataque xenófoboem uma estação de trem no subúrbio da cidade, onde morava com o namorado Marco Trepp.Paula disse que seu corpo foi marcado pelos agressorescom a sigla do SVP (Partido do Povo Suíço), maior partido dedireita do país. Paula ainda afirmou que o ataque teria feito com que ela abortasse de gêmeos e acusou os policiais que a atenderam de terem desconfiado da veracidade da história. O governo brasileiro entrou no caso e até o embaixador da Suíça no Brasil foi convocado pelo Itamaraty para dar explicações.A missão do Brasil na ONU se mobilizou para levar o caso àOrganização. Em Brasília, o Palácio do Planalto cobrou"rigor" na punição dos culpados. Contudo, tudo não passou deUma farsa. Paula confessou que havia simulado a agressão e jamaisesteve grávida. Ontem, a porta-voz da Polícia de Zurique,Brigitte Vogt, confirmou ao Estado que o caso estava resolvidoe caberia à Justiça determinar qual seria o futuro dePaula."Não há mais o que investigar. Está tudo claro", disse."A polícia não tem dúvidas de que o ataque foi simulado."Paula está sendo alvo agora de um processo por falso testemunho,mas sua condição psiquiátrica é instável. Seu advogado,Roger Muller, confirmou que Paula está tendo "acompanhamentoprofissional", mas não quis entrar em detalhes.Paula foi levada ontem para uma clínica psiquiátricade Zurique apresentando um quadro tido como "complicado".O Ministério Público, porém, garante que a internaçãonão influenciará a decisão do juiz sobre o futuro da brasileira.Para a Justiça, o que importa é o estado de Paula no dia em que ela simulou o ataque.Se ficar provado que ela já tinha problemas psiquiátricos,ela pagaria uma multa, mas não seria presa. Se o juiz entender diferente, ela pode receber uma punição mais dura. A brasileira já passou por duas audiências e está proibida de deixar a Suíça,já que seu passaporte está retido.

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