Marwan Tahtah/AFP
Marwan Tahtah/AFP

Brasileira em Beirute achou que explosões fossem terremoto: 'Tudo começou a tremer'

Para ela, a explosão deve ter grandes consequências nos próximos dias, já que toda a comida e os alimentos básicos vinham do porto de Beirute

Thaís Ferraz, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2020 | 18h41
Atualizado 04 de agosto de 2020 | 21h02

As explosões na região portuária de Beirute que deixaram ao menos 78 mortos e mais de 4 mil feridos na tarde desta terça-feira, 4, "pareciam um terremoto", segundo relatou a brasileira Catharina Ghoussein, de 23 anos, ao Estadão. 

Moradora de um bairro localizado a cerca de sete quilômetros do Porto, no subúrbio da cidade, Catharina estava na sala de casa quando sentiu os tremores. “Minha mãe acordou e começou a ficar desesperada. Ouvimos um barulho que parecia de avião, achei que Israel tinha atacado o país”, conta.

Muitas casas do bairro tiveram vidros e portas quebradas. "Saímos para a sacada para ver a situação dos nossos vizinhos e tinha muita gente na rua. Os animais (de estimação) estavam todos estressados."

As explosões foram ouvidas em vários bairros da cidade e fora dela. No Chipre, uma ilha mediterrânea situada a 240 km a noroeste de Beirute, os moradores relataram ter ouvido as duas grandes explosões em rápida sucessão.

Hospitais da cidade ficaram lotados e chegaram a recusar feridos por falta de capacidade para atendimento. “A situação está bem tensa, muita gente em Beirute está sem casa e tem muitos feridos”, conta Catharina. “Os hospitais estão ficando saturados de pessoas machucadas."

Para ela, a explosão deve ter grandes consequências nos próximos dias. “O país já estava em uma crise econômica horrível, e toda a comida e os alimentos básicos vinham do porto de Beirute”, conta. “Com essa explosão, tudo vai piorar. Muita gente vai passar fome." 

O Líbano enfrenta um colapso econômico – segundo o Banco Mundial, mais da metade da população do país vive hoje abaixo da linha da pobreza. O governo do país declarou dia de luto nacional nesta quarta-feira, 5, e adiou o lockdown que se iniciaria na quinta-feira.

 

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