Jason Reed/Reuters
Jason Reed/Reuters

Brasileira escapa com ferimento leve no pé

Gerente de projetos foi forçada a enviar mensagens em nome do sequestrador

MARÍLIA ASSUNÇÃO , RUBENS SANTOS , ESPECIAL PARA O ESTADO , GOIÂNIA, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2014 | 02h02

O goiano Ricardo Khoury, primo da brasileira Márcia Mikhael, disse ontem que a família "passou momentos de tensão", em Goiânia, após o anúncio de sequestro na cafeteria em Sydney.

"Nossa família é grande e muitos parentes estão na Austrália, onde a Márcia está", disse ele. Ricardo afirmou ao Estado, por telefone, que a prima está na Austrália desde os 16 anos. Segundo as informações vindas de Sydney, Márcia saiu do episódio de sequestro com ferimentos no pé.

Boa parte da família mora no país. Márcia já viveu no Canadá, onde estudou e se formou em gestão em informática, mas voltou em 1985 para a Austrália. Ricardo disse que ainda não tinha todas as informações sobre o fim do sequestro: "Ainda sabemos muito pouco sobre como tudo começou, as motivações, mas estamos felizes e aliviados com o desfecho do caso".

Informações raras. Embora esse segmento da família Khoury seja estimado em cerca de 3 mil pessoas, entre os que moram na Austrália e em Goiânia, os parentes encontravam dificuldade para obter informações sobre o caso. Tanto em Goiânia quanto na Austrália.

Jorge, um dos irmãos de Márcia, teve acesso a algumas informações por meio do Facebook. Segundo Adibe George Khouri, prima de Márcia, a brasileira tem três filhos. Outra prima, Vanessa Fonseca, afirmou que um irmão da brasileira também esteve na região do café e acompanhou toda a operação.

De acordo com alguns membros da família, o Itamaraty recomendou à família que mantivesse silêncio sobre o caso. A Secretaria de Assuntos Internacionais do Governo de Goiás, que intermediava o contato entre o Ministério das Relações Exteriores e os parentes de Márcia, emitiu nota ontem à noite na qual informava que não tinha nada a relatar sobre o caso até aquele momento.

Márcia tem 47 anos. Seus parentes ficaram sabendo que ela estava entre os reféns da cafeteria Lindt por meio dela mesma, que teria conseguido telefonar do interior do local enquanto ainda era mantida refém. De acordo com esses parentes, a brasileira pedia socorro e dizia que não queria morrer.

O sequestrador, identificado como Man Haron Monis, um iraniano de 50 anos acusado de vários delitos, teria permitido que algumas das vítimas que ele retinha desde domingo, fizessem as ligações. Márcia teria telefonado a um dos filhos, enviado recados ao marido e dito que o sequestrador libertaria alguns reféns.

Interlocutora. Márcia Mikhael teria sido a principal interlocutora do sequestrador. Por meio do perfil dela em uma rede social, foram postadas algumas "exigências": queria falar com o primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, e reivindicava que fosse levada uma bandeira do Estado Islâmico (EI) até o café. Em meio ao período de impasse, uma bandeira com o verso do Alcorão "Não há Deus senão Alá e Maomé é seu Profeta" foi exibida na vitrine do café.

A goiana aparece em um vídeo em uma das redes sociais lendo as exigências em uma gravação que durou cerca de 40 segundos. O trecho de maior impacto da mensagem foi um pedido do sequestrador para que "os outros dois irmãos" não explodissem as bombas.

Márcia trabalha como gerente de projetos em uma empresa que funciona no mesmo edifício onde fica o Lindt Chocolat Cafe, na região de Martin Place. É tida pelos parentes como frequentadora constante do café.

Irmãos e primas da mulher não estranharam a possibilidade de ela estar entre as vítimas por esse motivo, mas nem autoridades consulares de Goiás, nem do Itamaraty haviam confirmado, no primeiro momento, a presença da brasileira entre os reféns. Parentes e amigos se manifestaram pelas redes sociais, criando uma comunidade e pedindo orações para a mulher.

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