Brasileira está confinada em hotel do Paquistão

Desde domingo, a neurologista brasileira Domicina Monteiro está proibida de sair do Hotel Marriott da cidade paquistanesa de Karachi e pode ser obrigada a deixar o país nos próximos dias, como medida de segurança adotada pela ONU após o início dos bombardeios ao Afeganistão. Especialista em vigilância epidemiológica, a médica potiguar está no Paquistão desde agosto como integrante de uma equipe da Organização Mundial da Saúde, agência da ONU que desenvolve no país uma campanha contra a poliomielite. "Dentro do hotel me sinto bem, mas estamos apreensivos, porque temos um cronograma a cumprir", disse ela nesta terça-feira por telefone ao Estado. Além da brasileira, outros seis especialistas estrangeiros estão confinados no hotel. Domicina vive na cidade de Sukkur, na província da Sindh. Na sexta-feira, havia viajado de carro a Karachi para uma reunião de trabalho. Nesta quarta-feira, o chefe local da OMS deve definir o destino dos profissionais. Há dois meses no país, Domicina já conhece um pouco das opiniões dos paquistaneses fundamentalistas formados nas madrasas, as escolas religiosas. "A maioria dos motoristas que trabalha conosco, na OMS, é de talebans. Eles adoram Osama e odeiam os norte-americanos." Na cidade onde vive, os jornais da região costumam publicar fotos de página inteira do saudita. "Eles têm fotos dele em tudo o que é lugar", diz ela. Nem os internet-cafés escapam. Segundo Domicina, a maioria dos computadores exibe como descanso de tela a imagem de Bin Laden. Leia o especial

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