Brasileira foge de campo de refugiados em Gaza

Abeer Yousif tenta se proteger das bombas e sonha em viver na Cisjordânia

Luciana Alvarez com agências internacionais, O Estadao de S.Paulo

31 de dezembro de 2008 | 00h00

Logo após os primeiros ataques de Israel, a brasileira Abeer Yousif Dwik resolveu fugir com os três filhos do campo de refugiados de Jabaliya, pois o local onde mora "é hoje o lugar mais perigoso" da Faixa de Gaza, afirmou por telefone ao Estado. Abeer deixou sua casa e o marido e há três dias está hospedada com os filhos na casa de parentes no centro da Cidade de Gaza.Mas a mudança não trouxe tranqüilidade. Apesar de considerar que está agora mais segura, Abeer não se arrisca a sair de casa por medo dos ataques israelenses. "A situação é terrível. Não dá para ir até a porta, nem andar na rua, nada", contou. As crianças de 5 e 4 anos brincam na sala, enquanto ela cuida do bebê, de apenas 3 meses. E mesmo dentro de casa, não está livre do barulho constante dos aviões israelenses e algumas explosões, que a assustam. O sonho de Abeer é deixar definitivamente a Faixa de Gaza e mudar-se para a Cisjordânia. "Aqui é muito perigoso para meus filhos. A Cisjordânia é um lugar melhor, mais seguro." O medo da população chegou a deixar as ruas da Cidade de Gaza quase desertas na segunda-feira. Ontem, com a redução da intensidade dos ataques israelenses, muitos se arriscaram a ir às padarias, onde se formaram grandes filas. Quando os bombardeios começam, os comerciantes fecham imediatamente suas lojas. Mas mesmo dentro das casas as pessoas não se sentem seguras."Não temos nenhum lugar para nos esconder", afirmou um funcionário da Cruz Vermelha na Faixa de Gaza, que não se identificou. "Colocamos as crianças para dormir na sala enquanto nós nos acomodamos em colchões. Temos de deixar as janelas abertas para que os vidros não se estilhacem quando aconteçam explosões por perto. Fica muito frio e as crianças choram ao ouvir as bombas explodindo."A população civil também sofre com falta de água e luz, segundo a ONU. Na região, apagões de 16 horas são comuns, pois Israel limita o fornecimento de combustível e energia elétrica. Os ataques dos últimos quatro dias deixaram bairros inteiros no escuro. A ONU alerta que em breve os geradores dos hospitais podem ser afetados pela falta de combustível, cujo preço está cinco vezes mais caro.Os hospitais estão em situação caótica, segundo a Cruz Vermelha, com falta de médicos, equipamento e suprimentos para tratar os mais de 1.600 feridos. Para evitar um colapso, a organização enviará 11 toneladas de medicamentos.

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