CRÉDITO: LETÍCIA DUARTE
CRÉDITO: LETÍCIA DUARTE

Brasileira largou tudo e seguiu amor haitiano até o México

Sandra terminou casamento em Belo Horizonte, se uniu ao haitiano Alain Régis e foi para Tijuana com ele para tentar entrar nos EUA

Letícia Duarte, ESPECIAL PARA O ESTADO / TIJUANA, MÉXICO, O Estado de S.Paulo

12 Agosto 2018 | 05h00

Recém-chegado a Belo Horizonte, em 2014, o haitiano Alain Régis estava sentado em uma lanchonete quando viu a brasileira Sandra. Ela saía da casa de uma amiga e ficou curiosa quando ouviu aquele “hola”. Depois de uma breve conversa, ele pediu o telefone dela. Ela não deu. “Sou casada”, desconversou. 

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Os dois voltaram a se encontrar semanas depois num ônibus, que ambos tomavam para trabalhar pela manhã. À segunda vista, foi mais difícil resistir. “Era um amor proibido”, lembra Sandra, que para vivê-lo deixaria meses depois não só um casamento de 11 anos, mas também o emprego na Polícia Federal de Belo Horizonte, onde atuava como terceirizada no setor administrativo.

E, por fim, o próprio país. Hoje, o casal vive em Tijuana, com o filho Samy, de 10 meses, nascido no México, depois dos planos frustrados de chegar aos EUA. “Depois que o conheci, criei coragem para abandonar tudo”, conta a mulher de 33 anos.

Primeiro, ela se mudou para Maringá, para onde Régis migrou seguindo um amigo de infância. Quando ele tomou a decisão de partir rumo aos EUA, onde tinha parentes, ela também não hesitou. Combinaram que ele iria antes, fazendo a travessia com um grupo de haitianos, numa rota que se estendeu entre setembro e dezembro. Quando chegou à Guatemala, Sandra tomou um avião para encontrá-lo. Juntos, cruzaram para o México, sonhando em ingressar nos EUA. 

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“Cheguei em dezembro e só consegui agendar para entrar nos EUA para 24 de fevereiro. Aí o Trump já tinha ganhado, fiquei com medo de tentar e ser deportado para o Haiti”, conta Régis, atualmente empregado como frentista em Tijuana. 

Na chegada, Sandra trabalhou como ajudante de cozinha, mas foi demitida aos 4 meses de gestação. “Aqui não há proteções trabalhistas”, explica a brasileira. 

Se dependesse dela, voltariam para o Brasil. Diz que sente falta “de tudo”, especialmente das “comidas da mãe” com tempero brasileiro – desde batata frita até estrogonofe. Mas o marido não quer retornar. “Me humilhei muito na viagem, para agora voltar. E aqui estamos mais perto dos EUA. Quem sabe pode abrir a porta um dia”, torce. 

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