Brasileira não estava grávida e pode ter feito cortes em si mesma, diz perito suíço

Diretor de instituto de medicina forense atribui conclusão a exames realizados em Paula Oliveira.

Marcio Damasceno, BBC

13 de fevereiro de 2009 | 14h15

O diretor do Instituto de Medicina Forense da Universidade de Zurique, Walter B¤r, afirmou nesta sexta-feira que, a partir de exames, sua conclusão é de que a brasileira Paula Oliveira não estava grávida e poderia ter ela mesma feito os ferimentos em seu corpo."A partir dos resultados laboratoriais e do exame ginecológico, podemos dizer que, no momento do ato, não havia gravidez". disse B¤r, em entrevista coletiva na sede da polícia de Zurique. "Um segundo exame confirmou esse resultado.""Constatamos que os cortes encontrados no corpo dela foram realizadosem locais que podem ser alcançados por ela mesma", continuou. "Aspartes mais sensíveis do corpo feminino, como auréola dos seios, umbigo e genitais, nãoforam atingidas pelos ferimentos.""Vou tirar aqui uma conclusão, mas, como em todas as conclusões, existe o risco de uma interpretação errônea", acrescentou o perito. "Um médico legista experiente tem que presumir que uma auto-flagelação (ato com as próprias maos) está bastante em evidência.""Quero ressaltar que o Instituto de Medicina Forense da Universidade de Zurique é uma entidade independente, sem ligação com a polícia nem com as autoridades de Justiça", observou B¤r.De acordo com a polícia suíça, as investigações sobre o caso ainda não foram concluídas e seguem em andamento em todas as direções."Insisto em enfatizar que as investigações prosseguem, como até agora, em 360 graus, até que a ocorrência seja esclarecida", disse o comandante da policia municipal de Zurique, Philipp Hotzenk¶cherle.Antes da coletiva da polícia e do perito desta sexta-feira, o pai de Paula, Paulo Oliveira, havia reagido com indignação a suspeitas levantadas pela imprensa suíça sobre a suposta agressão contra a brasileira, alegando que havia uma tentativa de transformar Paula em culpada no caso.Na quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o caso é "grave", "chocante" e tem "aparência xenofóbica".No entanto, o chanceler disse ter confiança de que a polícia suíça manterá a transparência e o rigor na investigação e que é preciso aguardar as conclusões do trabalho. Leia mais na BBC Brasil: Caso de agressão na Suíça é 'grave' e 'chocante', diz AmorimPaula Oliveira alegou à polícia que foi atacada por três supostos neonazistas na segunda-feira, na saída de uma estação de trem na periferia de Zurique.O fato de ela estar falando ao celular em português com sua mãe momentos antes de ser supostamente atacada reforçaria a suspeita de que a agressão seria xenofóbica. Segundo Paula, os autores da agressão riscaram sua pele com estilete. Fotos de Paula mostravam que os cortes formam a sigla SVP, a mesma de um partido suíço de extrema-direita.Logo depois da agressão, Paula disse à polícia ter ido a um banheiro da estação, onde teria sofrido um aborto, perdendo os dois bebês que estava esperando.Logo após a coletiva da polícia e do perito em Zurique, um porta-voz do SVP, Alain Hauert, comentou o caso e o envolvimento do nome do partido no episódio."Caso seja comprovado que houve um ataque, apesar de tudo apontar que pelo menos parte do depoimento da brasileira não condiz com a verdade, a polícia deve prender e punir os responsáveis", disse Hauert."Caso ela tenha feito em si mesma os ferimentos, e existe muita gente em várias regiões da Suíça que crê nessa possibilidade, o caso não nos diz respeito, estaria encerrado e não temos nada a dizer quanto a isso", acrescentou.Questionado sobre a marca com a sigla do SVP no corpo da brasileira, Hauert respondeu: "Talvez o senhor deva perguntar a ela mesma se ela talvez faz parte de nosso partido".BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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