Brasileira que estava em aeroporto londrino conta o que passou

Um plano terrorista desbaratado pela polícia britânica na quinta-feira mudou a rotina dos passageiros que freqüentavam o aeroporto londrino Heathrow. O plano tinha a pretensão de ser maior que o 11 de setembro. Os terroristas suicidas iriam derrubar ao menos dez aviões que sairiam de Londres em direção aos Estados Unidos. A estudante de filosofia Thais Helena Camargo Silva, 21 anos, era uma das passageiras. Ela é brasileira e aguardava para embarcar para o País. Thais contou que os primeiros sinais de que algo fora do comum estava por vir apareceram já na madrugada. "Era mais ou menos 1h30 da manhã quando um guarda do aeroporto passou dizendo que nós não devíamos dormir. Alguém poderia colocar algo em nossas malas", contou. "Depois desse aviso, não consegui dormir e fui andar pelo aeroporto."Naquele momento, Thais percebeu o aumento do número de seguranças, alguns até com armas pesadas. Segundo ela, ninguém sabia ao certo o que estava acontecendo. Muitos diziam que era apenas um exagero na segurança. Porém, horas depois, durante o check-in do embarque, os guardas pediram algo inusitado: os passageiros teriam de colocar suas bagagens de mão em sacolas de plástico."Os passageiros não podiam entrar com nenhum objeto pessoal além dos documentos. As pessoas colocavam notebook na sacola, celulares, objetos frágeis. Alguns tiveram de esvaziar os potinhos de lentes de contato para poder embarcar." Para acalmar os ânimos dos passageiros, os guardas diziam apenas que faziam isso "por medida de segurança".Outro fato que deixou os passageiros transtornados foi a revista. As pessoas eram instruídas a tirar os sapatos e, em seguida, eram revistadas minuciosamente. Desse modo, a checagem, que normalmente leva apenas alguns minutos, começou a demorar mais do que devia, e a fila do check-in aumentou bastante.Medo Thais contou que, após ser revistada, foi ao free-shop e, em uma das televisões à venda, viu uma notícia que a deixou desesperada. "A televisão informou que havia um atentado terrorista no aeroporto em que estávamos. Todos que assistiam à TV entraram em pânico. Pensávamos apenas em voltar para casa", afirmou.AmsterdãPerto das 9h (horário local), Thais e os outros passageiros embarcaram rumo a Amsterdã, uma das escalas de seu vôo ao Brasil. Foi lá que, segundo ela, conseguiu finalmente ter noção da gravidade da situação. "Até aquele momento não sabíamos que os alvos dos ataques eram os aviões. Pensávamos que apenas o (aeroporto) Heathrow era o alvo", contou. No check-in do aeroporto Schiphol, em Amsterdã, a situação não era diferente da de Londres. A segurança estava reforçada e a revista também foi minuciosa. Em vez de ficar apenas uma hora, o avião que levava Thais ficou parado por dez horas no país.Em situações normais, a capital holandesa seria a única escala até São Paulo. Porém, devido à confusão, vários vôos foram remanejados e as escalas, alteradas. A estudante contou que, para sair de Amsterdã, teve de pegar um vôo da Air France para Paris.ParisNo aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, a situação era um pouco diferente. Segundo Thais, a revista foi mais branda, mas a segurança era muito mais reforçada do que nos outros países. "Colocaram militares mesmo, com roupa camuflada e armas pesadas, para garantir a segurança do aeroporto." Na capital francesa, ela teve de pegar um vôo para o Rio de Janeiro, já que não havia um vôo direto para São Paulo. BrasilApós mais de 20 horas de tensão, o avião da Air France finalmente pousou no Rio de Janeiro. "No Rio, peguei um avião da TAM para São Paulo", disse Thais. A chegada à capital paulista, que antes estava planejada para as 16h de quinta-feira, aconteceu apenas às 8h30 desta sexta-feira.

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