Tom Wolf Office/Governo da Pensilvânia
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Brasileira, segunda-dama da Pensilvânia sofre ataque racista em supermercado

Gisele Barreto Fetterman, mulher de John Fetterman, fez relato em seu perfil no Twitter

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2020 | 16h36

Era uma compra de última hora, então a brasileira Gisele Barreto Fetterman foi ao supermercado mais próximo sem os policiais estaduais que normalmente fazem sua segurança. Com três caixas de kiwis nas mãos, Fetterman estava na fila para pagar quando uma mulher parou e olhou para ela.

"Oh, olhe aquela n***** com quem Fetterman se casou", disse a mulher, usando a expressão racista 'nigger', usada para se referir pejorativamente a negros.

Mulher do vice-governador da Pensilvânia, o democrata John Fetterman, Gisele disse que "congelou" ao ouvir as injúrias. Em relato em sua conta pessoal no Twitter, ela conta que a mulher do supermercado continuava repetindo "você não pertence a este lugar".

Abalada, Gisele pegou sua compra e foi para o carro. A mulher reapareceu, puxando para baixo uma máscara roxa e repetindo a calúnia racial para Fetterman, que gravou o momento e o compartilhou com seus seguidores nas redes sociais.

O ataque aconteceu três semanas antes de uma eleição presidencial em que a Pensilvânia deve cumprir um papel importante como Estado de batalha. O presidente Donald Trump, que ganhou o Estado por menos de 45 mil votos em 2016, agora está atrás do ex-vice-presidente Joe Biden em quase todas as pesquisas.

O rancor partidário permanece intenso, particularmente em torno de questões raciais e restrições ao coronavírus.

O marido de Fetterman e o governador Tom Wolf, ambos democratas, entraram em confronto com os republicanos que desafiam abertamente as ordens de permanência em casa.

Em seu tuíte, Fetterman escreveu: “Eu amo, amo, amo este país, mas estamos profundamente divididos. Esse comportamento e esse ódio são ensinados”. “Se você conhece (a mulher do vídeo), se ela é sua vizinha ou parente, por favor, em vez disso, ensine o amor para ela".

Fetterman disse em uma entrevista que a Polícia Estadual da Pensilvânia identificou a mulher no vídeo e iniciou uma investigação.

Nascida no Brasil, Fetterman, de 38 anos, é uma imigrante que veio com sua mãe e irmão para Nova York antes de completar 8 anos. Ela disse que recebeu seu green card em 2004 e se tornou cidadã em 2009.

Ela e John Fetterman se casaram em 2008 e têm três filhos. Eles vivem em Braddock, um bairro a leste de Pittsburgh, no oeste da Pensilvânia, onde John Fetterman foi prefeito.

Gisele Fetterman disse que o supermercado fica a cerca de dois minutos de carro de sua casa.

Ela afirmou já ter sido alvo de ódio por e-mails, mas que o encontro de domingo foi a primeira vez que ela foi atacada presencialmente. "Ninguém está imune a isso", escreveu.

Seu tuíte, que havia sido visto mais de meio milhão de vezes na tarde de segunda-feira, 12, atraiu reações nas redes sociais dos legisladores.

“A intimidação étnica e o discurso de ódio cuspidos na segunda-dama da Pensilvânia são vergonhosos e inaceitáveis”, disse Wolf no Twitter.

“Cabe a nós ensinar aos nossos filhos bondade, aceitação e inclusão, e condenar o ódio sempre e onde quer que o vejamos”, escreveu o senador Bob Casey, um democrata, no Twitter. Outra democrata da Pensilvânia, a deputada Mary Gay Scanlon, disse no Twitter que “o ódio não tem lugar aqui”.

Fetterman disse que esperava que as pessoas tratassem a mulher que a abordou no supermercado "com compaixão e a ensinassem de forma diferente". “Eu sei que não fui a primeira a receber isso”, disse ela, “mas espero ser a última pessoa com quem ela faça isso pessoalmente”. /NYT

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