Brasileira tenta recuperar filho na Suíça

A luta por um garoto brasileiro de 12 anos pode levar a uma disputa diplomática entre Brasil e Suíça. No início do ano, o brasileiro Cristian Wellington Soares foi levado a um internato em Berna e, desde então, as autoridades suíças recusam o pedido da mãe, Maria Jaqueline Soares, de ter o filho de volta.Berna se baseia no fato de que o menino declarou não querer voltar ao Brasil e que estaria mais protegido no internato. Mas não há prova de que a mãe, que também vive na Suíça, tenha cometido violência contra o menino. Segundo Maria, foi seu ex-marido, o suíço Hans Baariswil quem levou Cristian para o internato.Maria era mãe solteira antes de conhecer Hans Baariswil e, mesmo depois do casamento, Cristian não foi adotado pelo suíço. Por esse motivo, Berna não teria direito sobre a criança. "Imagine qual seria a reação de Berna se um menino suíço fosse levado a um internato no Brasil com a alegação de que seria mais bem protegido", questionou o cônsul brasileiro em Zurique, Carlos Eduardo Sette Câmara Fonseca.Para complicar a situação, o internato exige a entrega dos documentos da criança, que estão com a mãe. Caso não os forneça, o governo suíço determinou que a mãe poderá ser presa. Berna ainda promete conceder um documento de viagem ao garoto brasileiro, o que permitiria que ele permanecesse na Suíça."Não há motivo para que isso ocorra, já que ele não é refugiado nem apátrida", explicou o cônsul. Maria Thereza Soares chegou à Suíça em 1993 para casar-se com Hans Baariswil. Há quatro meses, Maria se divorciou do marido, acusando-o de espancamento e de forçá-la a se prostituir nos últimos três anos. "Era eu quem trazia dinheiro para casa", afirmou a brasileira.O internato e o escritório de Tutela da prefeitura de Berna se recusaram a comentar a situação de Cristian. "Esse é um caso especial e as informações não estão disponíveis", afirmou um funcionário do internato.O consulado está tentando resgatar a criança e todos os canais diplomáticos já foram ativados. "Trata-se de um caso absurdo e desumano", afirmou Sette Câmara. Para ele, o caso poderia ser considerado tecnicamente um seqüestro. "É uma arbitrariedade o que os suíços estão fazendo", disse.

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