Aleppo 24 news via AP
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Brasileiro aponta para crime de guerra em ataque contra comboio na Síria

Atentados destruíram 18 caminhões que levariam comida, remédios e roupas para uma região perto de Alepo; cerca de 78 mil pessoas seriam beneficiadas com a entrega

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2016 | 13h49

GENEBRA - A Comissão de Inquérito da ONU para os Crimes na Síria, liderada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, “condena” os ataques contra um comboio que levava ajuda humanitária aos sírios e alerta que uma ofensiva deliberada é um crime de guerra. 

Na segunda-feira, ataque aéreos destruíram 18 caminhões que levariam comida, remédios e roupas para uma zona perto de Alepo e controlada por rebeldes. Um dos diretores da Cruz Vermelha foi morto, assim como outros 20 civis. Um total de 78 mil pessoas iriam se beneficiar da entrega e, segundo a ONU, todos os lados no conflito haviam sido avisados que o comboio iria partir dos armazéns. 

“Esse é um golpe cruel contra o povo sírio, num momento em que a prioridade deveria ser melhorar a situação humanitária da população sitiada”, disse Pinheiro. “Trabalhadores humanitários não fazem parte do conflito e nunca devem ser alvos”, afirmou o brasileiro.

Pinheiro lembrou que, pelo direito humanitário internacional, os trabalhadores humanitários têm um status especial de proteção e não devem ser colocados como alvos ou atacados. “Ataques deliberados como esse são crimes de guerra”, apontou um comunicado da comissão.  

O brasileiro também apontou que pelo menos três resoluções do Conselho de Segurança da ONU autorizam a entrada de assistência humanitária, mesmo sem a autorização do governo. 

O ataque ainda ocorre uma semana depois que o acordo de cessar-fogo previa que o acesso de material humanitário seria uma das prioridades. A Comissão fez um apelo para que “todas as partes no conflito respeitem o direito humanitário internacional”.

Pinheiro ainda pediu que o ataque seja tratado com urgência na reunião do Conselho de Segurança da ONU. “Ações são necessárias para garantir a proteção desses trabalhadores”, disse. 

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