Brasileiro assume o Comissariado da ONU para os Direitos Humanos

O novo alto comissário da ONU para os direitos humanos, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, tomou posse, hoje, em Genebra, com uma promessa: não deixará que a campanha contra o terrorismo liderada pelos Estados Unidos viole os direitos humanos."Depois dos ataques terroristas nos Estados Unidos, há um ano, é natural que haja uma reação excessiva e uma ênfase no problema do terrorismo. Espero que isso não seja um fenômeno duradouro e farei tudo o que puder para reequilibrar a atenção e o compromisso dos governos com relação a outros temas, como os direitos econômicos e sociais", afirmou Vieira de Mello.Desde o final do ano passado, uma série de países vem adotando leis antiterroristas que acabam prejudicando a liberdade e as garantias dos cidadãos. Na avaliação de especialistas, muitos governos têm usado a luta contra o terrorismo para justificar o ataque a grupos de oposição."É um perigo rotular qualquer tipo de oposição como raiz de grupos terroristas. Isso tudo terá que ser reequilibrado e tentarei impedir que isso ocorra", afirmou o brasileiro, que hoje, na sede da ONU em Genebra, chamava a atenção de políticos, funcionários da ONU e de toda a imprensa internacional.Segundo ele, uma de suas prioridades também será recolocar o direito ao desenvolvimento na agenda dos direitos humanos naONU. "O direito ao desenvolvimento é um direito fundamental e pode, inclusive, comprometer outros direitos, como os civis epolíticos", disse Vieira de Mello.Uma prova de que temas relacionados ao desenvolvimento ganharão espaço na agenda do novo alto comissário é o fato de já ter programado uma reunião com o diretor da Organização Mundialdo Comércio (OMC), Supachai Panitchpakdi. "O comércio estáintimamente ligado ao problema do desenvolvimento. Ainda existemuita injustiça no sistema internacional do comércio e nos próximos dias vou me reunir com Supachai para ver como poderemos cooperar", disse o brasileiro.CobrançaMas nem bem tomou posse, Sérgio Vieira de Mello jápassou a ser cobrado. Organizações não-governamentais (ONGs)exigem uma ação imediata do brasileiro contra as violações aosdireitos humanos que estaria sendo praticada pelas grandespotências, como os Estados Unidos, China e Rússia.A Human Rights Watch, por exemplo, quer que Vieira de Mellodê atenção especial para os casos das violações aos direitoshumanos na China, Colômbia, territórios palestinos e Chechênia.Mas o brasileiro já declarou que quer "despolitizar" a luta pelos direitos humanos, o que está gerando a preocupação por parte da ONGs.As entidades de defesa aos direitos humanos temem que Vieira de Mello não enfrente os governos poderosos, como fez Mary Robinson, que ocupou o cargo até a última quarta-feira. "Minhaênfase será na negociação e na persuasão", completou o novo alto comissário, que se reunirá pela primeira vez com os representantes dos 190 países da ONU no próximo dia 24.

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