Brasileiro chefiará missão de direitos humanos da ONU na Síria

O Conselho de Direitos Humanos da ONU nomeou o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro para presidir a comissão de inquérito que vai investigar violações aos direitos humanos na Síria, incluindo possíveis crimes contra a humanidade, desde o início dos protestos pró-democracia no país.

REUTERS

12 Setembro 2011 | 18h59

Segundo a Organização das Nações Unidas, ao menos 2.600 pessoas morreram nas manifestações desde março.

Pinheiro já atuou como investigador do Conselho em Burundi e depois em Mianmar. Ele estará acompanhado do turco Yakin Ertrk, ex-funcionário das Nações Unidas em questões do gênero, e da norte-americana Karen AbuZayd, que atuou como chefe da agência da ONU de assistência aos refugiados palestinos.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU enviará uma comissão de inquérito depois de analisar relatório do Escritório do Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH), cuja aprovação em agosto para ida à Síria teve a aprovação do Brasil.

"O relatório descreve uma série de abusos do governo que vão desde assassinatos, desaparecimentos, privação de liberdade e até mesmo a tortura de crianças, até uma aparente política sistemática de atirar para matar contra os manifestantes, com uso de franco-atiradores", disse um comunicado da ONU.

A embaixadora uruguaia Laura Dupuy Lasserre, que atualmente preside o fórum de 47 membros em Genebra, "destacou a importância de que as autoridades sírias cooperem completamente com a comissão", segundo nota da ONU.

Nesta segunda-feira, a Rússia rejeitou pedidos por uma pressão maior sobre a Síria pela repressão violenta aos protestos contra o presidente Bashar al-Assad.

A Rússia e a China, membros com poder de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, resistiram aos esforços dos Estados Unidos e seus aliados europeus de aumentar a resposta internacional à repressão da Síria.

Assad reagiu ao levante, inspirado pelas revoltas que derrubaram três líderes norte-africanos este ano, com ataques militares contra centros de protestos e prisões em massa.

A comissão de inquérito tem prazo até final de novembro para dar suas conclusões.

(Reportagem de Stephanie Nebehay)

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