Brasileiro da ONU visita maior prisão de Mianmar

O brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro,enviado especial da ONU para questões de direitos humanos,visitou na segunda-feira a principal prisão de Yangon, aInsein, e outros lugares onde são mantidos ativistas detidosdurante as manifestações pró-democracia em setembro. Uma nota divulgada pela ONU em Yangon não deu detalhes davisita, mas um diplomata havia dito anteriormente que Pinheirotentaria encontrar Min Ko Naing e Ko Ko Gyi, dois líderes dosprotestos de agosto contra o aumento dos combustíveis,supostamente presos em Insein. "Ele espera entrevistar os detentos antes do final da suamissão e receber novos detalhes sobre seus prontuários", dissea nota. Pinheiro deixa Mianmar na quinta-feira. Pinheiro, que é professor de Direito, faz sua primeiravisita à antiga Birmânia em quatro anos. Ele também visitou oantigo Colégio Técnico do Governo e a sede da polícia, ondetambém são mantidos presos capturados durante as manifestaçõesdeste ano, as maiores nos últimos 20 anos. O brasileiro encontrou também os superiores do ComitêEstatal Sangha Maha Nayaka, órgão estatal que controla o clerobudista, e visitou dois monastérios "envolvidos nasmanifestações recentes". A imprensa oficial diz que 2.927 pessoas foram presasdurante aqueles dias. Centenas de monges budistas estão entreos detidos. Oficialmente, houve dez mortos nas manifestações, mas osjornais do governo dizem que não houve vítimas fatais entre osmonges. Religiosos dizem, porém, que cinco monges foramassassinados durante as invasões dos mosteiros. Apareceram na Internet várias fotos que supostamentemostram monges mortos e mutilados, embora seja impossível saberquando e onde elas foram tiradas. A imprensa oficial diz que só restam 91 manifestantesdetidos, cifra que Pinheiro deve investigar minuciosamente,assim como o número de mortos. Governos ocidentais desconfiamque tenha havido muito mais vítimas fatais. Parentes de presos políticos, vários dos quais participaramda outra grande onda de manifestações contra o regime, em 1988,dizem que as condições na penitenciária Insein melhoraram àsvésperas da visita de Pinheiro. "Fomos autorizados a mandar coisas para eles. Tivemos umachance de saber sobre seu estado de saúde. É a primeira vezdesde que eles foram presos, em agosto", disse um parente demanifestante à Reuters. Não se sabe se Pinheiro efetivamente conseguiu acesso àspessoas que queria ver na prisão. Na terça-feira, ele viaja aNaypyidaw, a nova capital construída pela Junta Militar no meioda selva. No passado, Pinheiro tinha acesso a todos os presospolíticos que desejasse. Mas, há quatro anos, saiu correndo deuma conversa com um detento em Insein ao descobrir que havia umgravador escondido sob a mesa. Antes da repressão de setembro, a Anistia Internacionalestimava que a junta conservasse cerca de mil presos políticos,inclusive a líder oposicionista Aun San Suu Kyi, mantida sobprisão domiciliar durante 12 dos últimos 18 anos. Na segunda-feira, outro enviado da ONU, Ibrahim Gambari,relatou por telefone ao secretário-geral Ban Ki-Moon sobre suavisita da semana passada a Mianmar. Ainda nesta semana, eledeve transmitir suas impressões ao Conselho de Segurança. (Reportagem adicional de Claudia Parsons nas NaçõesUnidas)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.