Brasileiro diz que lutou no Iraque por causa de benefícios

O brasileiro Fernando Braga, de 24 anos, é um dos muitos imigrantes que vivem nos Estados Unidos que se alistaram no Exército americano somente por causa dos benefícios oferecidos. Ex-combatente da guerra no Iraque, Braga voltou do conflito com a certeza de que o presidente americano George W. Bush cometeu um erro ao enviar tropas para o país do Golfo Pérsico. Hoje, o brasileiro representa a organização Veteranos Contra a Guerra em Nova York."No início era surpreendente o número de pessoas que acreditava que a guerra era contra o terrorismo", afirma Braga. "Hoje muito mais gente acha que é por causa do petróleo." Para o brasileiro, a estratégia de Bush de enviar mais 21.500 soldados para o Iraque este ano, para tentar conter a onda de violência sectária e estabilizar o país, vai fracassar. "Não sou analista de guerra, mas acho que não vai adiantar nada mandar mais gente. Essa guerra já está perdida politicamente. Os Estados Unidos não têm controle da situação. Eles podem soltar uma bomba nuclear lá e não vai adiantar nada", afirma Braga. Mesmo antes de ser escalado em 2003 para trabalhar com suprimentos no Camp Cedar 2, perto de Nassíria, sul do Iraque, Braga não estava convencido pelo discurso do presidente Bush. "A posição antiguerra de meus professores da faculdade fazia mais sentido, mas como eu tinha me alistado tive de ir." Braga admite ter se alistado para receber os benefícios salariais, de saúde e de educação superior que o Exército dos EUA oferece. Ele nasceu em Porto Velho, Rondônia, morou em Brasília, e aos 5 anos de idade se mudou com a mãe para Nova York. O brasileiro está cursando o terceiro ano da faculdade de ciências políticas da Hunter College, paga pelo governo e pelo Exército americanos. Agora, ele está ajudando a divulgar uma passeata contra a guerra que será realizada entre os dias 27 e 29 em Washington. ExperiênciaRafael Rocha Satler, de 23 anos, é outro brasileiro que se alistou nas Forças Armadas americanas de olho nos vários benefícios. Satler nasceu em Brasília e se mudou com a família aos 4 anos de idade para Pompano Beach, Flórida. Satler começou a treinar como fuzileiro naval (marine) na Califórnia em janeiro de 2002. Trabalhou com o reabastecimento de combustível para aviões, mas nunca foi escalado para ir para o Iraque. Após o vencimento de seu contrato, em janeiro de 2006, Satler mudou-se com a mulher e duas filhas para Port Saint Lucie, Flórida, onde abriu uma empresa de transporte de materiais de construção com o irmão.Apesar de ter machucado as costas quando trabalhava para o Corpo de Fuzileiros Navais, Satler diz que foi uma boa experiência ter servido nas Forças Armadas dos Estados Unidos. "Para mim valeu a pena", diz. "Mas sou contra a guerra. Já perdi vários amigos e acho que (a situação do Iraque) não vai melhorar." Satler recebe US$ 1,5 mil quinzenalmente do governo americano por ter ferido a coluna quando estava na ativa.

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