Sana/Efe
Sana/Efe

Brasileiro diz que ONU foi bem recebida em Homs

Opositores dizem que forças do governo mataram mais de 30 pessoas em Hama

Luis Kawaguti, BBC

23 de abril de 2012 | 18h45

SÃO PAULO - O capitão de mar-e-guerra da Marinha do Brasil Alexandre Feitosa - um dos observadores da ONU encarregados de monitorar o cessar-fogo na Síria - disse à BBC Brasil que a trégua está sendo respeitada em Homs. Afirmou ainda ter sido bem recebido tanto por opositores como pelo regime de Bashar Al-Assad ao entrar na cidade no fim de semana.

 

Contudo, nesta segunda-feira o grupo Observatório Sírio de Direitos Humanos, opositor do regime, afirmou que até 33 pessoas foram mortas pelo governo durante um ataque a Hama, onde os observadores não estão presentes ainda. A cerca de 50 km ao sul de Hama, na cidade de Homs, a ONU estabeleceu no último sábado seu posto de observação mais avançado e de caráter permanente.

"Desde que chegamos a Homs constatamos que lá o cessar-fogo está sendo cumprido. Temos ouvido apenas alguns tiros esporádicos, duas ou três rajadas por dia, no máximo", disse. Homs, de maioria sunita, é um dos principais redutos opositores ao governo alauíta de Assad. A cidade foi palco de alguns dos principais confrontos entre opositores e governo desde o início dos protestos no país, há mais de um ano.

 

Recepção

Animado com o cumprimento da trégua na cidade, Feitosa disse ter tido vários encontros com membros do Exército Livre da Síria - o braço armado da oposição - e integrantes do regime. "Os dois lados disseram que querem a presença da ONU no país", disse Feitosa.

Porém, para analistas, o regime de Assad vê a presença dos observadores como um obstáculo para o combate aos opositores do governo. "Em algumas partes de Homs o estrago [causado pelos combates] foi bastante grande e nada está funcionando. Mas em 60% ou 70% da cidade a rotina está voltando ao normal, com escolas, mesquitas e o comércio voltando a abrir", afirmou Feitosa.

Eixo

Nesta segunda-feira, Feitosa e um grupo de observadores fizeram patrulhas em Damasco e Duma (na periferia da capital). "Encontramos manifestações (pacíficas) dos dois lados, mas não houve violência." Segundo ele, até agora apenas oito do grupo inicial de 30 observadores militares que deveriam operar na Síria chegaram no país. Outros dois ou três devem chegar nesta terça-feira.

Eles devem ser mandados na quarta-feira para a cidade Idlib - outro foco de resistência ao regime - com o objetivo de montar outro posto de observação permanente. "Nossa ideia é montar um eixo [de cidades monitoradas] do sul ao norte do país. Teremos postos permanentes a princípio em Daraa [sul], Damasco, Homs e Idlib [norte]", afirmou.

Em resolução adotada no último sábado, o Conselho de Segurança da ONU aprovou o envio de um total de 300 observadores à Síria, por um período de 90 dias.

Acordo

Nesta segunda-feira o chefe do departamento de assuntos políticos da ONU, o americano B. Lynn Pascoe, afirmou que o governo de Assad ainda está usando armas pesadas contra opositores. Disse ainda que o regime não está cumprindo partes do acordo de cessar-fogo - tais como permitir manifestações pacíficas e libertar presos políticos.

De acordo com a ONU, ao menos 9 mil pessoas foram mortas no país desde o início da revolta, em março de 2011.

 

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