Brasileiro é impedido de deixar embaixada em Honduras

O diplomata brasileiro Lineu Pupo de Paula está impedido de deixar a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa desde hoje, sob pena de não poder mais retornar ao edifício. A proibição foi imposta pelo fato de o Brasil não reconhecer o governo de facto de Honduras desde o golpe de Estado que derrubou o presidente Manuel Zelaya, em 28 de junho.

DENISE CHRISPIM MARIN, Agencia Estado

30 de setembro de 2009 | 21h33

A chancelaria hondurenha exigiu do Itamaraty o envio de uma nota diplomática para acatar o pedido feito por De Paula de ir e vir à embaixada brasileira. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, rechaçou a hipótese de encaminhar um texto formal, com timbre oficial, a Tegucigalpa e já afirmou em diversas ocasiões que não reconhece o governo de facto.

Enviado pelo Itamaraty na sexta-feira, De Paula assumiu a responsabilidade de revezar-se com o encarregado de negócios da embaixada, Francisco Catunda Resende, em turnos de 24 horas, enquanto Zelaya e cerca de 50 colaboradores permanecem sob abrigo do governo brasileiro. Como possui passaporte diplomático em Honduras, Catunda poderá ingressar e sair do prédio sem problemas.

Com a chegada de Zelaya ao prédio, na segunda-feira da semana passada, a administração da embaixada passou a funcionar na casa de Catunda que, nos últimos dias, encarregou-se da contabilidade e do pagamento dos funcionários. O prédio, hoje cercado por tropas do Exército e da Polícia Nacional hondurenha, serviu, no passado, como residência dos embaixadores brasileiros; entre eles, o diplomata e escritor pernambucano João Cabral de Melo Neto.

Apesar do ultimato do governo de facto, que deu prazo até terça-feira para os diplomatas brasileiros saírem do edifício e deixarem o país, De Paula não pretende abandonar o local. Catunda informou que não sairá de Honduras nem deixará de ir à embaixada.

O Itamaraty confia na possibilidade de o governo de facto flexibilizar o ultimato, em função da chegada de uma missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) na quarta-feira da próxima semana. "Vamos ficar tranquilos. Não há nenhuma instrução do Itamaraty para que deixemos o posto", afirmou De Paula. "Quando tudo terminar, vou sair pela porta da frente e ir para a residência (do embaixador em Tegucigalpa)", completou.

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