Marcos Arcoverde/AE-14/1/2010
Marcos Arcoverde/AE-14/1/2010

Brasileiro extrapolou de suas funções, diz diplomata da OEA

Fonte da organização confirma que Ricardo Seitenfus perderá posto de chefe da entidade no Haiti

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2010 | 00h00

O acadêmico brasileiro Ricardo Seitenfus perderá o posto de representante da Organização dos Estados Americanos (OEA) para o Haiti assim que retornar de suas férias, em razão das críticas públicas à atuação da comunidade internacional. De acordo com um diplomata da OEA que acompanha o caso, Seitenfus será destituído porque extrapolou de sua função, essencialmente diplomática e da confiança da secretaria-geral da organização, ao expor suas opiniões pessoais sobre a crise política no Haiti em recente entrevista ao jornal suíço Le Temps. Esse não teria sido o primeiro caso.

Na entrevista, Seitenfus criticou a relação de força entre as organizações não-governamentais e o débil governo haitiano, defendeu o aumento do contingente civil das Nações Unidas e afirmou que os capacetes azuis, comandados pelo Brasil, "não ajudam e só pioram a situação". À imprensa, ele acusou membros do grupo de países interessados no Haiti de proporem o afastamento e o exílio do presidente haitiano, René Préval, em uma reunião.

Na OEA, a versão sobre esse tópico é diferente. A reunião teria tratado da proposta de formação de um governo de transição, a partir de 7 de fevereiro. Essa seria uma alternativa às suspeitas de várias correntes haitianas da pretensão de Préval perpetuar-se no poder. Embora 7 de fevereiro seja a data oficial do fim do mandato, ele poderia se manter na Presidência até 14 de maio, o mesmo dia em que assumiu o posto quatro anos atrás, sem ferir a Constituição.

"O Haiti está à beira do caos, da guerra civil. É preciso encontrar uma solução constitucional e respeitar o Estado de Direito. Não se pode nem piscar os olhos", afirmou o diplomata, referindo-se ao quadro causado pelo primeiro turno das eleições, em novembro.

A questão mais urgente, neste momento, é a negociação entre a OEA e o governo haitiano sobre os termos de referência para uma missão de verificação dos resultados do primeiro turno.

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