Brasileiro investiga para a ONU situação dos presos em Mianmar

No último dia de sua missão, Sergio Pinheiro visita a prisão de segurança máxima de Insein

Efe,

15 de novembro de 2007 | 01h53

O relator das Nações Unidas para os Direitos Humanos em Mianmar, o brasileiro Sergio Pinheiro, conclui nesta quinta-feira, 15, a missão de cinco dias no país, marcada por novas detenções de ativistas. Ele visitará à prisão de segurança máxima de Insein.  A Junta Militar permitiu que Pinheiro visitasse várias instalações onde permanecem detidas centenas de pessoas relacionadas com as manifestações do setembro. Em Insein estão reclusos os políticos e ativistas mais importantes. Segundo as Nações Unidas e a Anistia Internacional (AI), cerca de 1.100 birmaneses estão presos por motivos políticos. A maioria se encontra em Insein, nos arredores de Rangun, maior cidade do país. Ainda não se sabe se as autoridades militares permitirão que Pinheiro se reúna com os presos políticos. O governo impede o acesso do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) à maior parte das prisões do país. Pinheiro, depois de quatro anos proibido pela Junta Militar de entrar no país, se reuniu na quarta-feira, em Naypdaw, a capital administrativa, com representantes do corpo diplomático e membros da equipe das Nações Unidas. Em comunicado, a ONU informou que o relator manteve encontros com os ministros de Relações Exteriores, Nyan Win, e de Trabalho, Aung Kyi, que é o negociador da Junta Militar com a oposição. Na segunda-feira, testemunhas citados pela rádio Mizzina disseram ter visto Pinheiro deixando a prisão de Insein. Antes da visita de cinco dias de Pinheiro, Mianmar recebeu, na semana passada, o enviado especial das Nações Unidas, Ibrahim Gambari. Ele se reuniu com vários dirigentes da Junta Militar e da oposição liderada pela Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, sob prisão domiciliar desde 2003. O regime admite que 10 pessoas morreram e que cerca de 3 mil foram detidas durante ou depois das manifestações a favor da democracia, mas garante que já libertou a maioria dos presos. No entanto, a dissidência sustenta que 200 pessoas foram mortas e que mais 6 mil foram detidas. Durante a estadia de Pinheiro em Mianmar, a ativista Su Su Nway, que no ano passado recebeu o prêmio John Humphrey da liberdade, foi detida em Rangun com outras duas pessoas, por distribuir panfletos com mensagens antigovernamentais.

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