Brasileiro morre em conflito libanês

Nascido em Santos e vivendo no Líbano há 13 anos, Ali Ahmad Smidi foi atingido durante combate no norte do país

Angela Perez, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2007 | 05h28

O brasileiro Ali Ahmad Smidi, de 26 anos, primeiro-tenente do Exército libanês, foi morto na segunda-feira durante confronto com militantes islâmicos no norte do Líbano, confirmaram ontem parentes que moram no Brasil. O enterro foi realizado na terça-feira na cidade de Sultan Yacoub, no Vale do Bekaa, leste do Líbano, onde moram seus pais e avós. Ali nasceu em Santos em 1980 e se mudou com os pais para o Líbano em 1994. Um tio que mora em Santos, Khalil Mohamed Smidi, disse ao Estado que a família viveu 14 anos no Brasil, onde tinha uma loja de roupas, e decidiu voltar para o Líbano por causa dos avós paternos de Ali, que vivem lá. Segundo o tio, Ali servia no sul do Líbano e cerca de 20 dias atrás tinha sido enviado para o norte do país, onde militantes radicais se entrincheiraram no campo de refugiados palestinos de Nahr al-Bared. Ibrahim Smidi, de 27 anos, que vive em São Paulo, contou ao Estado que o irmão comandava um grupo de 40 soldados na segunda-feira pela manhã quando foi morto. Um de seus soldados foi atingido durante troca de tiros com os militantes e Ali acabou sendo morto ao tentar socorrer o companheiro. Ibrahim, proprietário de uma loja de móveis, disse que o irmão ingressara no Exército em 2001 e gostava muito da vida militar. Todos os anos Ali visitava o irmão e os parentes no Brasil, mas não tinha intenção de voltar a viver no País, assinalou Ibrahim. O confronto entre o Exército e os militantes do grupo Fatah al-Islam começou em 20 de maio, durante uma busca policial em um prédio na cidade de Trípoli, perto do campo de refugiados de Nahr al-Bared. A polícia, que procurava ladrões de banco, foi recebida a tiros por militantes que estavam escondidos no prédio. Pelo menos 231 pessoas já morreram em dois meses de confrontos entre o Exército libanês e os radicais. O grupo deu ontem sinais de que estaria disposto a negociar uma trégua. "Agora talvez não haja nenhuma objeção para as negociações e soluções políticas", disse o porta-voz do Fatah al-Islam, Abu Salim Taha, em entrevista à rede de TV Al-Jazira, com sede no Catar. À tarde, uma fonte militar disse que mais quatro soldados libaneses morreram ontem em combate em Nahr al-Bared. "O Exército está ampliando sua área de controle e fechando o cerco contra os militantes que resistem em alguns redutos do campo de Nahr al-Bared", disse à Associated Press um funcionário do governo. O Kuwait enviou um avião com 13 toneladas de ajuda humanitária para milhares de refugiados palestinos que abandonaram o campo por causa dos combates.

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