EPITACIO PESSOA/ESTADÃO
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Brasileiro pula muro da fronteira dos EUA e fica 90 dias preso

Wellington Aleixo decidiu ir de forma clandestina de Tijuana, no México, para San Diego, nos EUA, mas foi pego pela polícia

José Maria Tomazela / Sorocaba, O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2018 | 05h00

SOROCABA - O brasileiro Wellington Waldecy de Oliveira Aleixo, de 28 anos, tentou desafiar a política anti-imigração do presidente americano, Donald Trump, e entrou clandestinamente nos Estados Unidos pulando o muro na fronteira com o México, em 25 de setembro do ano passado.

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Preso pela patrulha da fronteira americana, ficou quase três meses incomunicável e sem assistência, misturado a presos comuns, antes de ser expulso, em 22 de dezembro. “Passei fome, frio e fui tratado pior que bandido, como se fosse um animal. Não faço isso nunca mais”, disse.

Casado e pai de três filhos, Aleixo decidiu tentar a vida nos EUA depois de perder o emprego como coletor de lixo numa empresa de Sorocaba. Ele se informou sobre as opções de cruzar a fronteira pela internet e comprou uma passagem de avião para Tijuana, no México, na fronteira com a cidade americana de San Diego.

“Só parentes mais próximos ficaram sabendo da minha intenção. Aos amigos e à imigração mexicana eu disse que estava de férias e ia pegar uma praia.” Ele conta que foi direto do aeroporto para a fronteira com cinco brasileiros que conheceu no voo.

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Durante a madrugada, não tiveram dificuldade para pular o muro de pouco mais de dois metros e transpor uma barreira metálica. “A gente não contava com tanta vigilância no lado americano. Era patrulha a pé, a cavalo e de helicóptero a todo momento. Não achamos jeito de chegar a San Diego.” Escondido no mato, o brasileiro pensou em desistir e voltar para o México, mas ficou com medo dos “coiotes”, mexicanos que cobram para ajudar na travessia.

Enfrentando calor escaldante de dia e as temperaturas baixas de noite, sem ter o que comer ou beber, Aleixo se desesperou. No quarto dia, urinou num saco plástico e bebeu. “Tenho vergonha de contar isso, mas não tinha mais o que fazer”, relembra. No dia seguinte, quando foi abordado e rendido por uma patrulha. “Eu esperava ser enviado rapidamente de volta para o Brasil, mas não foi o que aconteceu.”

Durante quase dez dias Aleixo ficou nas mãos de autoridades federais em dois Estados até ser levado para um presídio em Houston, no Texas. O brasileiro diz que dividiu uma cela com 70 presos e sua nacionalidade o ajudou. “Tinha condenado a 15 anos, outros com estiletes, mas fui bem tratado porque gostavam de falar de futebol, do Pelé, Romário, Roberto Carlos e Neymar. Foi o que me salvou.”

Em meados de dezembro, um guarda de origem hispânica permitiu que ele usasse um telefone para ligar para o Brasil. Um irmão de Aleixo atendeu. “Ele até chorou. Ninguém sabia o que tinha acontecido comigo. Meus filhos achavam que o pai deles tinha morrido”, explica.

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O irmão de Aleixo procurou ajuda de políticos locais e do Itamaraty. Em nota, a chancelaria brasileira informou não ter encontrado registro do contato feito por Aleixo com o consulado brasileiro em Los Angeles, que responde por San Diego.

Em 22 de dezembro, Aleixo embarcou com outros dois brasileiros, também deportados, com destino a São Paulo. “Estou decidido a enfrentar a vida aqui mesmo. Descobri que o sonho americano é ilusão”, disse.

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