Brasileiro relator da ONU pede ajuda internacional para Mianmá

Paulo Sérgio Pinheiro espera que o governo da antiga Birmânia para não reprima os protestos com violência

AE

24 de setembro de 2007 | 19h21

O brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, relator da ONU para a situação no Mianmá, pede ao governo da antiga Birmânia que não reprima com violência os protestos dos últimos dias no país. Pinheiro é o representante das Nações Unidas responsável por monitorar as violações de direitos humanos em Mianmá.   Veja Também Junta militar de Mianmá adverte contra protestos de monges Líderes mundiais criticam regime militar de Mianmá     Em entrevista à AE, o brasileiro ainda defende que a comunidade internacional demonstre apoio aos monges e pede uma saída negociada para a situação. "Não podemos ficar apenas assistindo esses corajosos monges enfrentar os militares", afirmou Pinheiro, que esteve pela última vez no país em 2003 e, desde então, tem sua entrada recusada pelos militares.   No final de outubro, Pinheiro irá apresentar à Assembléia Geral da ONU seu relatório sobre as violações no Mianmá. "Não há um estado de direito no país", ataca o brasileiro.   Os protestos na capital do país, Rangum, se multiplicam contra o regime ditatorial na antiga Birmânia que dura quase 20 anos. Um grupo de religiosos tentou ainda visitar a líder da oposição e Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, que está em prisão domiciliar desde 2003.   "O que já pedi ao governo é que não use de violência para acabar com os protestos. Não haverá solução para a situação sem um diálogo", disse. "Dois manifestantes já foram condenados à prisão perpétua. Isso não podemos aceitar", afirmou Pinheiro. Segundo ele, o país conta hoje com 500 mil monges. "Essa é a mesma proporção de militares no país", explicou.   No Mianmá, os monges dependem da população para se alimentar e, todos os dias, percorrem as suas coletando as oferendas feitas pela população que, em troca, recebe orientação espiritual.   "Apesar de não terem armas, os monges são os responsáveis pela dimensão espiritual do país. A religião não é marginal para a sociedade e o fato de estarem recusando oferendas dos militares significa, na prática, que estão excomungando o exército, desacreditando os militares", afirmou Pinheiro. Os monges passaram a fazer isso em represália aos militares por terem usado violência contra alguns deles.   Para Pinheiro, a comunidade internacional e a ONU precisam aproveitar o momento para tentar estabelecer um diálogo mais eficiente com o governo de Mianmá, administrado por uma junta militar. "Minha proposta é que seja criado um grupo de contato para negociar com o governo. Esse grupo precisa agir sem alarde e ainda contar necessariamente com a China. Sem Pequim, não haverá como esperar que um governo ocidental possa ser escutado por Mianmá", disse.

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