Brasileiro teria sido morto em Portugal por menores internos

A morte de um travesti brasileiro na cidade do Porto está provocando uma onda de indignação em Portugal. Segundo a imprensa portuguesa, ele teria sido assassinado por um grupo de 12 menores de 13 a 16 anos internados na Oficina de São José, instituição católica para abrigo e educação de crianças e adolescentes de famílias com problemas.Segundo a imprensa, a vítima é Gisberto Sauce Neto, nascido em São Paulo, que teria 45 anos. Estava em Portugal desde 1990, usando o nome de Giz. Ele teria vindo para a Europa para realizar uma operação de mudança de sexo, que nunca chegou a concretizar.No começo, chegou a ter sucesso em boates com seu número em que imitava a cantora Daniela Mercury. Quando morreu, era um sem-teto, aidético, com tuberculose e dependente de drogas, freqüentador das instituições Abraço, de apoio aos soropositivos, e Espaço Pessoa, que procura ajudar quem está na prostituição.Há cerca de 20 dias, Giz foi agredido na construção abandonada em que vivia. Os menores bateram, atiraram pedras e quando viram o corpo inanimado, jogaram o corpo num poço. Acredita-se que o crime tinha como um dos motivos o preconceito contra homossexuais por terem sido encontrados objetos no ânus dele. Doze dias depois, na segunda-feira da semana passada, um dos menores teve uma crise de consciência e contou o que aconteceu a sua professora.A violência fez com que começasse uma discussão sobre se os menores deveriam cumprir penas - pelo enquadramento legal de hoje, um juiz poderia enviar para que sejam acompanhados na própria Oficina de São José. Apenas um deles, que tem mais de 16 anos, está em prisão preventiva - dez encontram-se aguardando o julgamento em regime semi-aberto e um em regime fechado.No Consulado do Brasil no Porto, ainda faltam dados para poder atuar. "Na sexta-feira, quando começaram a falar que a vítima era brasileira, pedimos a confirmação da identidade e da nacionalidade à Polícia Judiciária. Apesar de ter saído na imprensa, não tivemos nenhuma confirmação oficial", conta a cônsul geral, Marília Sardemberg. Só após a confirmação de que era brasileiro, o Itamarati poderá agir, procurando encontrar forma de trasladar o corpo para o Brasil.

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