Brasileiros deixam embaixada no Congo após 4 dias ´presos´

Os brasileiros que estavam sitiados havia quatro dias na embaixada da capital da República Democrática do Congo, Kinshasa, já foram liberados para deixar o local. O grupo - composto de funcionários, militares e membros de uma delegação cultural em visita ao país - precisou ficar abrigado na embaixada em meio aos confrontos entre tropas do governo e rebeldes, que começaram na quinta-feira, 22.A embaixada fica localizada a 100 metros do escritório do líder rebelde Jean-Pierre Bemba e estava no meio do fogo cruzado durante os dias de violência mais intensa. O embaixador Flávio Roberto Bonzanini afirmou que um dos veículos da embaixada chegou a ser atingido por tiros de Kalashnikov.Bonzanini disse que a situação já está praticamente normal depois que as forças oficiais retomaram o controle da maior parte da capital, no sábado, 24. ?Hoje nós percorremos a cidade pela manhã e a situação já está quase normal, as pessoas voltaram ao trabalho, há muita gente nas ruas e o trânsito está quase normalizado. A situação do ponto de vista militar e de ordem pública já está superada?, disse.?Foi um grande susto para todos nós aqui?, afirmou o embaixador. No domingo, os funcionários congoleses já haviam sido liberados, mas os brasileiros decidiram ficar até esta segunda-feira ?por uma questão de prudência?.?Eu estou aqui na República Democrática do Congo há um ano e meio e essa foi sem dúvida a pior situação que já presenciei no país?, disse Bonzanini. Segundo o embaixador, 52 brasileiros moram na capital Kinshasa e outros 12 no resto do país. Nenhum brasileiro ficou ferido durante a onda de violência.MortosOs confrontos deixaram pelo menos 150 pessoas mortas e mais de 80 feridas, de acordo com a Caritas (agência humanitária da Igreja Católica). A violência estourou na quinta-feira, 22, com choques entre forças do governo e milícias leais a Jean-Pierre Bemba, que perdeu as eleições presidenciais de 2006 e que, segundo o governo, estaria tentando derrubar o presidente Joseph Kabila. O candidato derrotado, contra quem foi expedido um mandado de prisão, refugiou-se na embaixada da África do Sul. Ele nega estar planejando uma operação militar contra Kabila.A eleição de 2006 - o primeiro pleito livre em 40 anos na ex-colônia belga - transcorreu pacificamente, despertando esperança de que os anos de conflito e caos administrativo pudessem chegar ao fim. Kabila obteve 58% dos votos e Bemba, 42%, nas eleições de outubro de 2006.

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