Brasileiros deixam região de protestos no Chile

Turistas relatam descaso em aeroporto, onde dormiram no chão; governo chileno ameaça usar Lei de Segurança Interna para conter manifestações

Talita Eredia, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2011 | 00h00

O grupo de cerca de cem brasileiros detidos no sul do Chile foi retirado da região dos protestos contra a alta do preço do gás. Segundo o consulado e turistas ouvidos pelo "Estado", os brasileiros foram levados de Puerto Natales, palco das manifestações, para Punta Arenas em um avião da Força Aérea chilena. Sem assistência no aeroporto, os brasileiros seguiram por sua conta até Santiago, de onde voltariam ao País.

Desde a semana passada, os turistas estão impedidos de cruzar a região do Estreito de Magalhães, onde a população, que vive sob temperatura de cerca de 5º C, apoia as manifestações e a greve contra o aumento de 17% no preço do gás.

Duas pessoas morreram nos protestos. No domingo, o ministro do Interior chileno, Rodrigo Hinzpeter, anunciou que o governo aplicará a Lei de Segurança Interna para manter a ordem pública, autorizando o uso do Exército.

Os brasileiros relataram que o abrigo da Cruz Vermelha em Puerto Natales está superlotado e servia somente água, maçã e macarrão - que já estaria em falta. Após a negociação da organização com os manifestantes, pequenos voos transportaram os turistas até o aeroporto de Punta Arenas.

Famílias inteiras dormiram no chão, em uma temperatura de 10º C, e não receberam água ou alimentos. O aeroporto fica a 22 km da cidade e as estradas até o centro, onde seria possível conseguir suprimentos, estavam bloqueadas pelos manifestantes.

Responsabilidade. A companhia aérea chilena LAN manteve os voos entre a capital e Punta Arenas, mas afirmou que só transportaria os passageiros que tinham passagem e perderam seus voos por causa dos protestos de acordo com a disponibilidade da companhia. Em nota, a empresa diz ainda que os inconvenientes provocados pelos protestos não são de sua responsabilidade. Mais de 60% dos voos estão esgotados.

Maurício Mor, de 61 anos, viajava com a mulher, Rita, e queixou-se da falta de assistência do governo brasileiro.

No aeroporto, apenas os cidadãos americanos tiveram assistência de seu corpo diplomático no Chile.

Os demais turistas, incluindo brasileiros, contaram com a própria sorte para embarcar até Santiago.

Segundo Maurício, o Itamaraty não deu nenhuma instrução ou assistência no aeroporto.

Ele relatou ainda que a prefeitura de Puerto Natales, que apoia os protestos, deixou a responsabilidade pelos turistas presos na cidade nas mãos da Cruz Vermelha. "Deixamos a região graças a entidades de ajuda humanitária."

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