Brasileiros e libaneses relatam tensão

População está habituada a atentados, mas teme que conflito na Síria esteja chegando ao Líbano

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2012 | 03h02

Era início da tarde em Ashrafyeh, tradicional bairro da elite cristã de Beirute. Siham Harati, cônsul do Brasil no Vale do Bekaa, visitava sua filha. "Havíamos acabado de passar pela Sessine", disse ela por telefone ao Estado, referindo-se à praça rodeada por cafés e restaurantes no bairro cristão.

"Ouvi um barulho forte e meu corpo foi jogado para a frente. O motorista foi com a cara em direção ao vidro, mas não se machucou." Segundo Harati, ao olhar para trás, ela viu fumaça. Minutos depois, na casa da filha, entendeu o que tinha ocorrido.

Os libaneses estão acostumados com episódios como o de ontem. Dezenas ocorreram desde que um carro-bomba explodiu e matou o então premiê e líder da oposição Rafic Hariri. Os mais velhos ainda se recordam de momentos piores, como os 15 anos de guerra civil, entre 1975 e 1990. A diferença é que, agora, a Síria, antes símbolo de estabilidade, vive um conflito armado.

Pelo Facebook, um brasileiro-libanês informou ao Estado que os sunitas estavam revoltados com a morte de Wissam al-Hassan, aliado de Saad Hariri, principal nome da oposição. "Nós cristãos estamos em casa, aguardando o que pode ocorrer. Estamos tensos", disse outro brasileiro. Saif Amous, acadêmico palestino, era menos cético. "Hoje as ruas estão mais vazias, mas amanhã volta ao normal", disse.

Condenação. O governo brasileiro condenou o atentado em Beirute e manifestou sua solidariedade às famílias das vítimas.

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