Brasileiros na região se dividem sobre ação

Nascidos no Brasil, palestino e judeu vivem com suas famílias sob mísseis e foguetes na Cidade de Gaza e em um kibutz no sul de Israel

Roberto Simon, O Estadao de S.Paulo

30 de dezembro de 2008 | 00h00

O mato-grossense Kassir Aziz e o paulista Tzvi Chazan moram a apenas 10 quilômetros de distância um do outro. Entre eles, entretanto, está uma das mais turbulentas fronteiras do mundo, a que separa o território de Israel da Faixa de Gaza. Na mais recente onda de ataques entre israelenses e palestinos, os dois brasileiros ocuparam campos opostos no conflito - e ambos foram vítimas da violência.Aziz mora no campo de refugiados de Jabaliya, um dos mais populosos da Cidade de Gaza, com mulher, filhos, irmãos e cunhadas. "Uma bomba caiu a metros da minha casa e arrasou completamente uma mesquita, tudo virou pó", contou, por telefone, ao Estado. Seu bairro, no extremo norte de Gaza, fica diante da cidade israelense de Erez, um dos pontos onde Israel reúne tropas e tanques para uma eventual ofensiva terrestre contra o território palestino. Imersa em uma assombrosa crise humanitária, Jabaliya está entre as regiões mais devastadas pelos cerca de 250 ataques da aviação israelense. "Água, não temos. Eletricidade, tampouco. Estamos vivendo o caos desde sábado", disse o palestino. Ele e sua família permanecem em casa e estão temerosos em sair na rua. Para Aziz, a ação de Israel é "criminosa". "A situação aqui é realmente muito difícil e estamos com medo."KIBUTZ BRASILEIRODo outro lado da fronteira, "medo" foi também o termo que Chazan utilizou para descrever seu cotidiano sob os foguetes Kassam lançados diariamente pelos grupos palestinos Hamas e Jihad Islâmica contra a região em que vive. Ele mora com mais 248 famílias no kibutz Bror Hail, fundado em 1948 - mesmo ano da criação do Estado de Israel - e conhecido como "kibutz dos brasileiros", por abrigar um grande número de nacionais do Brasil. "Há dias em que o alarme contra foguetes dispara 30, 40, 50 vezes e sempre temos de correr para nos proteger", disse. A escola do kibutz suspendeu as aulas por tempo indeterminado e os moradores são orientados pela defesa civil a sempre permanecer a metros de um abrigo antiaéreo. A partir do soar do alarme, todos têm até 15 segundos para se esconder. Esse clima de guerra, de acordo com Chazan, só pode acabar com uma ação dura de Israel contra o Hamas. Com a nova ofensiva, "chegou a hora de verdade", disse o israelense. "Confiamos no Exército e permaneceremos aqui até o fim."Do lado palestino, a saída não é uma opção. Ninguém - mesmo os que têm nacionalidade brasileira - conseguiu deixar Gaza, isolada por Israel desde 2007, quando o Hamas expulsou o grupo rival Fatah e assumiu o controle total do território.

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