Brasileiros não conseguem deixar o Timor Leste após atentado

Três funcionários do governo têm dificuldades para voltar depois da tentativa de assassinato do presidente

Isabel Sobral e Rosana de Cássia, da Agência Estado,

11 de fevereiro de 2008 | 20h19

Três integrantes do Ministério do Trabalho e Emprego brasileiro estão no Timor Leste sem poder deixar o país, que está em crise desde a tentativa de assassinato do presidente José Ramos-Horta no domingo, 10. Eles poderão retornar ao País somente na quarta-feira, 13. Além do secretário executivo do ministério, André Figueiredo, e do chefe da Assessoria Internacional do ministério, Pedro Amaral Vieira, também está no Timor o secretário de Previdência Social, Helmut Schwarzer.  Presidente do Timor Leste é submetido a nova cirurgiaTimor Leste decreta emergência após ataquePara Gusmão, situação no Timor está controlada Ex-premiê do Timor culpa ONU por atentadosApós cirurgia, estado de Ramos Horta é estávelPresidente do Timor Leste é baleado em casa  Eles viajaram para o Timor na semana passada para representar o Brasil na 8ª Reunião dos Ministros do Trabalho e Assuntos Sociais da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, que reúne Brasil, Timor Leste, Portugal, Angola, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde.  O evento deveria ser encerrado nesta quarta-feira, 13, para quando os secretários têm passagens marcadas. No entanto, eles contaram que tentam antecipar a volta ao Brasil, mas há dificuldade de conseguir lugar num dos únicos dois vôos que deixam o país diariamente. "Estamos tentando voltar antes para não sermos mais um motivo de preocupação do governo timorense, que está se empenhando na nossa segurança", disse, também por telefone, o secretário Helmut Schwarzer.  Andre Figueiredo disse que eles se encontram no hotel em Díli impedidos de sair para a rua devido ao estado de emergência decretado pelo governo. Segundo ele, os três estão se sentindo seguros porque há uma equipe da força de segurança portuguesa e da ONU protegendo o local. "Todas as venezianas das janelas do hotel foram fechadas e há um clima de tensão, mas estamos tranqüilos e nos sentindo seguros", disse ele. Os dois contaram ainda que, na noite de domingo, foram à residência do presidente Ramos-Horta, que os recebeu acompanhando do primeiro-ministro Xanana Gusmão. "Iríamos ter nova reunião hoje (segunda-feira), mas fomos surpreendidos com a notícia sobre os atentados quando ainda estávamos no hotel", disse Figueiredo, acrescentando que chamou a atenção o fato de a casa do presidente do Timor ficar no pé de uma serra, sem muita proteção e próxima das montanhas onde as milícias rebeldes se escondem. No sábado, quando desembarcaram no Timor, os secretários fizeram várias visitas a alguns locais de Díli, sempre acompanhados de forte esquema de segurança, o que indicava algum temor por parte das autoridades. "Mas não podíamos imaginar nada tão trágico acontecendo", completou Schwarzer.  O país vive uma crise política desde que José Ramos-Horta ficou gravemente ferido ao ser baleado dentro perto de sua casa em Díli por soldados rebeldes. O primeiro-ministro do país, Xanana Gusmão, escapou ileso de outro atentado e analistas prevêem uma nova fase de violência e instabilidade na ex-colônia portuguesa no Sudeste Asiático. O Timor conseguiu sua independência em 2002. O presidente, que dividiu o Prêmio Nobel da Paz de 1996 com o bispo Carlos Belo, é um dos maiores símbolos da luta não violenta dos timorenses contra a ocupação indonésia que durou mais de 20 anos. Segundo informações do Ministério das Relações exteriores, 220 brasileiros vivem hoje no Timor Leste.  Esse país católico, que tem o português como uma das línguas oficiais, é um dos mais pobres da Ásia, mas tem reservas potencialmente lucrativas de gás e petróleo.

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