Arquivo pessoal
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Brasileiros nos EUA contam o que mudou em suas vidas após receberem a vacina contra a covid

Residentes em cinco Estados americanos relatam suas experiências com a imunização e mostram que mantêm precauções 

Ana Paula Franco (Especial para o Estadão), Paulo Beraldo e Thaís Ferraz, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2021 | 05h00

O Estado da Flórida, no sul dos Estados Unidos, vai começar na segunda-feira, 5, a vacinar os moradores maiores de 18 anos. De acordo com os dados mais recentes divulgados pelo governo local, cerca de 6 milhões de pessoas já foram vacinadas no Estado. Desse total, 3,3 milhões receberam as duas doses das vacinas. Entre os imunizados, está um grande número de brasileiros.

A carioca Carolina Amaral de Sá, de 37 anos, mora em Miami há 15 anos e recebeu a primeira dose do imunizante no dia 21 de março. A segunda dose está programada para 11 de abril e ela está animada, mas afirma que não pretende se livrar da máscara e das medidas de higiene adotadas durante a pandemia. “Mesmo imunizada, não pretendo parar de usar máscara, nem o álcool gel e desinfetar objetos. Já me adaptei à essa realidade e não sei se quero voltar atrás. Acho que não conseguiria sair sem máscara.”

Carolina diz sentir falta do movimentado cenário cultural da cidade. “As atividades culturais estão voltando aos poucos e isso me deixa feliz. Sou casada com um produtor de teatro, adoramos ir a shows, peças de teatro e não vemos a hora de voltar a fazer tudo isso.”

Miami e as cidades de seu entorno já respiram uma certa normalidade. Restaurantes estão abertos, turistas estão de volta à cidade, praias estão lotadas. Mas os especialistas alertam que é preciso manter os cuidados, já que os casos de covid-19 estão aumentando. A média é de 6 mil novos casos de contágio por dia e cerca de 70 mortes relacionadas à covid-19.

O brasileiro Bruno Di Giorgio, de 41 anos, que mora em Fort Lauderdale, é proprietário de uma clínica dentária onde sua mulher atua. O casal já foi vacinado e está levando uma vida praticamente normal, indo a restaurantes e lojas. A clínica está funcionando com a capacidade total e os clientes voltaram. 

Sonho de voltar ao Brasil 

No Estado da Pensilvânia, a tradutora Claudia Gonçalves Pinto, de 50 anos, passou a maior parte da pandemia dentro de casa. “No começo, só saíamos para fazer compras no mercado uma vez a cada duas semanas. Não víamos ninguém”, conta. Ela e o marido, Luís, foram privados de ir a restaurantes, um de seus hobbies. 

Embora o verão tenha trazido alguma flexibilidade – o casal se encontrou com amigos algumas vezes em ambientes abertos, como parques, e fez uma viagem de carro a uma praia deserta – a chegada do inverno e da segunda onda os levou novamente para casa. “Passamos o Natal sozinhos”, conta.

Ambos tomaram a vacina em março. “Foi tudo muito rápido. Eu tomei em um centro disponibilizado pelo meu plano de saúde. Só tinha uma moça na porta, com uma lista. Eu já tinha feito meu cadastro online, ela perguntou meu nome, nem checou meus documentos, e já fui encaminhada para a mesa onde tomaria a vacina”, conta. 

“Aqui, na Filadélfia, montaram uma estrutura enorme de imunização no centro de convenções. Além dos agendamentos, as pessoas podem chegar em umas mesinhas na porta, chamadas ‘walk-in’, e pedir para tomar a vacina caso sobre alguma dose naquele dia”, conta. 

Já imunizado, o casal tem agora uma viagem para o Havaí. E aguarda o momento em que poderá voltar ao Brasil. “Faz um ano e meio que não voltamos, nunca ficamos tanto tempo longe”, conta Claudia. “A primeira coisa que faremos quando as coisas estiverem normalizadas é ir para o Brasil.”

Normalidade deve voltar com os turistas

A brasileira Pilar Laitano, que estuda direito em Nova York, tem 22 anos e tomou apenas a primeira dose da vacina. A outra será daqui a um mês. Na prática, diz que pouco mudou em seu dia a dia e não vê muitas mudanças na cidade – grande parte das empresas continua em home office, o que faz com que o fluxo de pessoas seja menor no transporte público. 

“Está tudo ainda bem vazio e a orientação é não mudar em nada o comportamento até realmente ter muita gente vacinada”, conta. “Vai demorar para realmente voltar ao normal porque o normal é cheio de turistas, isso faz muita diferença na cidade.”

Máscara e distanciamento 

Para o virologista Anderson Brito, que vive em Connecticut, a única coisa que mudou foi a sensação de estar protegido e saber que não sofrerá tanto com a doença se for exposto ao coronavírus. “Mas o receio de poder transmitir o vírus ainda existe. Então, o uso de máscara e evitar locais fechados continuam como normas.” 

Sua rotina segue igual, trabalhando em casa. Brito é taxativo ao dizer que a vacinação só trará reflexos para a população, no controle da transmissão viral, quando houver 60% ou mais imunizados – a quantidade depende de quão transmissível está o vírus na comunidade. 

 

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