Brasileiros participam de manifestações pró-imigrantes nos EUA

Cerca de mil imigrantes brasileiros juntaram-se, nesta segunda-feira, a mexicanos, hondurenhos e venezuelanos nas manifestações do Dia Sem Imigrantes. A participação brasuca foi tão intensa que surpreendeu os mais céticos."Eu estou impressionado, não apenas pela extensão da adesão ao boicote ao trabalho, mas à discussão que aconteceu antes na comunidade, que foi muito substantiva", disse o médico Eduardo Siqueira, professor da Universidade de Massachusetts, em Lowell, especializado em segurança no trabalho de imigrantes. "A mensagem do protesto foi compreendida, provocou boas discussões e fez com que as pessoas participassem sabendo o que estavam fazendo." As lojas do centro de Framingham, várias delas de brasileiros, amanheceram com as portas fechadas. "As que abriram, como a Padaria Brasil, fecharam no começo da tarde e dispensaram os empregados, para que eles pudessem participar das manifestações", contou Fausto Mendes da Rocha, diretor do Centro do Imigrante Brasileiro e um dos organizadores da mobilização em Massachusetts. "Vários comércios de americanos também fecharam ou deram ponto facultativo aos empregados imigrantes, em solidariedade", contou. O mesmo aconteceu em Everett, Marlboro, Allston e nos vários subúrbios de Boston, onde vive um número estimado de 150 mil a 200 mil brasileiros. A distribuição do Boston Globe, que é feita em sua maioria por brasileiros, foi afetada.Com as bandeiras do Brasil e dos EUA espetadas no chapéu, a cabeleireira Olivia Itaboraí, mineira de Resplendor e imigrante legal, há seis anos em Somerville, emocionou-se com o discurso do prefeito da cidade. "Eu sou filho de imigrantes italianos. Metade de nossos habitantes veio de mais de cinqüenta países e aqui vocês são todos bem-vindos, são todos cidadãos de Somerville", disse Curtatone em inglês, comunicando-se com os brasucas com a ajuda de um intérprete que traduziu o discurso para o português.Segundo o capixaba Fausto Mendes da Rocha, os organizadores dos protestos medirão nos próximos dias o efeito que o Dia Sem Imigrantes produzirá sobre a Casa Branca e o Congresso. O objetivo é forçar a discussão da reforma das leis de imigração de forma que permita a legalização gradual dos 12 milhões de indocumentados já no país. "Se o debate no Congresso não for adiante, haverá um novo dia de protesto, no fim de maio", informou.

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