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Brasileiros perdem carro em viagem da China ao Reino Unido

Grupo precisou abandonar o Santana 2005 na fronteira entra a China e o Cazaquistão

BBC Brasil,

25 de junho de 2012 | 18h55

PEQUIM - Um grupo de amigos brasileiros que percorria um trajeto de mais de 20 mil quilômetros entre Pequim e Londres a bordo de um Santana 2005 teve que abandonar o veículo na fronteira entre a China e o Cazaquistão. Os brasileiros, que saíram de Pequim neste mês, agora lutam contra o tempo para chegar ao Reino Unido antes das Olimpíadas. O trio continuará a viagem em outros meios de transporte "inclusive a pé, se for preciso", disse à BBC Brasil Richard Amante, um escritor brasileiro de 34 anos radicado na China.

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Amante, junto com outros dois amigos, os irmãos Edgar Scherer, de 30 anos, e Paulo Scherer, de 28 anos, saíram de Pequim rumo a Londres numa viagem que atravessaria 25 países em 57 dias. A ideia inicial de fazer o trajeto de carro, a bordo de um Santana branco ano 2005, foi abortada quando o grupo chegou à fronteira entre a China e o Cazaquistão.

Depois de nove dias na estrada, eles já haviam percorrido cerca de 5 mil quilômetros, ou 25% do total da viagem. "A alfândega de Alanshatou, na divisa com o Cazaquistão, disse que não há lei que impeça a retirada do carro da China. Mas, como eles nunca fizeram algo semelhante, não sabem o procedimento e, por isso, não nos permitiram seguir (a bordo do carro)", disse Richard Amante. O Santana foi então abandonado pelo trio em um estacionamento da cidade ao preço de 20 yuans (R$ 6,50) por dia.

O jeito foi atravessar o Cazaquistão a pé, disse Amante. "Apenas mostramos nosso passaporte. Porém tivemos de esperar 40 minutos até que nos liberassem. Já no país, eles conseguiram pegar um táxi para Almaty, a cidade mais populosa do Casaquistão (1,2 milhão de habitantes) e antiga capital nacional. A viagem, que durou quatro horas, custou 90 dólares. "Conseguimos negociar o preço através de um chinês que viajou com a gente e falava russo".

Da fronteira ao ponto de táxi, entretanto, o trio recorreu a uma carona em um trator - do amigo do taxista.

Abandono do carro

Ao abandonar o carro em um estacionamento na fronteira, ao contrário do previsto no cronograma inicial, o grupo teve de abdicar também dos halteres, que levavam para fazer exercícios, e de algumas peças de roupa, como sapatos e camisas extras, que foram enviados por correio à Turquia. Lá o trio se juntará a outros dois brasileiros e seguirá viagem em um carro alugado no local.

A mudança de planos forçada acabou atrasando o grupo em dois dias. "Vamos compensar na Europa (viajando mais horas por dia), porque decidimos aproveitar esses países da Ásia menor que talvez nunca teremos a oportunidade de visitar novamente", explicou Amante.

Idioma

Se o carro era o grande temor da viagem, o maior inimigo, a partir de agora, é a barreira do idioma, contou Amante. No Cazaquistão, Tadjiquistão e nos demais países que vão cruzar, nem o cardápio dos restaurantes os brasileiros conseguem ler. "A gente está se sentindo aqui como quando chegamos à China: analfabetos", acrescentou Amante.

O jeito, segundo o grupo de amigos, é procurar alguém nas ruas que fale um pouco de inglês ou algum chinês para ajudar na tradução. "E, claro, apostar nos kebabs, que, nestes tempos difíceis, se tornaram a nossa refeição mais recorrente", afirmou Amante.

Viagem

A ideia da expedição "olímpica" surgiu em 2010, quando Edgar Scherer, engenheiro brasileiro radicado na China - que já chegou até mesmo a participar de um programa de namoro pela TV chinesa - propôs a cinco amigos uma viagem de carro rumo a Londres.

Naquele ano, os brasileiros, que haviam assistido juntos à Olimpíada de Pequim, decidiram transformar o sonho impossível em realidade. Mas, logo no início, o grupo sofreu um revés. Avaliados os custos da viagem, que giram em torno de US$ 40 (R$ 80) diários por pessoa, , três integrantes debandaram.

Restaram Scherer, seu irmão, Paulo e Rodrigo Amante, que, juntos, iniciaram uma via-crúcis burocrática, que começou com o pedido de visto a quase dez países. A preparação culminou na aquisição de um carro, um Santana branco ano 2005, comprado de um funcionário do governo de Suzhou, província a leste da China.

Inicialmente, o grupo planejava cruzar de carro o Cazaquistão, Quirguistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Irã e Armênia, seguindo depois pela Geórgia até chegar à Turquia. A Sérvia foi tirada do roteiro em função da dificuldade de se conseguir o visto para o país.

Da Turquia, a expedição segue para Grécia, Albânia, Macedônia, Bulgária, Romênia, Hungria, Eslováquia, Áustria, República Tcheca, Polônia, Alemanha, Holanda, Bélgica, França, até chegar ao Reino Unido.

 

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