Brasileiros que estão no Líbano querem fugir, "mas não há como"

"Todos querem sair do Líbano, mas não há como", afirma Zaki Moussa, libanês naturalizado brasileiro, cuja agência de viagens Summer Tour, em Foz do Iguaçu, vendeu passagens para pelo menos 300 dos 500 moradores da cidade que estão passando férias no país do Oriente Médio. A maior parte dos turistas são crianças. Passar as férias do meio do ano no Líbano é um costume dos moradores da cidade que têm origem libanesa.Os ataques israelenses destruíram a pista de pouso do aeroporto de Beirute, o único capacitado para vôos internacionais no país, e as vias de acesso do sul à capital estão bloqueadas. A maioria dos brasileiros residentes em Foz que viajou para o Líbano está hospedada no sul do país. Na quarta-feira à noite (madrugada de quinta no Líbano), uma família de moradores da cidade, que estavam em férias em Srifa, sul do Líbano, morreu atingida por mísseis disparados por aviões israelenses. Akil Merhei, sua mulher, Ahlam Jabir Melei, e os dois filhos do casal, Fatima, de 4 anos, e Ali, de 8, foram sepultados na quinta-feira, em Srifa. Cerca de 500 libaneses e descendentes que vivem em Foz participaram na noite de quinta-feira de uma cerimônia religiosa em homenagem aos amigos mortos na mesquita Osmar ibn-al Khatab.Segundo Zaki, a única alternativa para a saída dos estrangeiros é por Damasco, mas chegar lá é o primeiro obstáculo. "A estrada também já foi atingida pelas bombas israelenses, e passar por ela é um grande risco", observa. "Todos os que querem deixar o Líbano pela estrada de Damasco correm risco de vida, mas é preciso enfrentar este risco", completou.Levar os brasileiros do sul do Líbano para Damasco é uma missão que Moussa atribuiu ao irmão, Saade, dono de uma agência de viagens no Vale do Bekaa, no Líbano, próximo a fronteira com a Síria. "Está demorando de 10 a 16 horas para chegar ao aeroporto de Damasco", disse Saade em entrevista telefônica ao Estado. "Se você quer sair, as forças de segurança libanesas não se responsabilizam por ninguém", completou.Já uma rota de fuga pelo Chipre, no Mediterrâneo, esbarra num obstáculo: os navios de guerra israelenses, que bloqueiam o acesso marítimo ao Líbano.Colaborou Gabriel Bueno

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.