Brasileiros que estavam no Líbano chegam a São Paulo

Após 14 horas de vôo, os brasileiros que estavam no Líbano finalmente chegaram à Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos, na noite desta terça-feira. Muito aliviados e emocionados, os passageiros (85 brasileiros, cinco argentinos, quatro libaneses e um uruguaio) foram recepcionados por cerca de 50 membros da comunidade libanesa do Brasil, que seguravam faixas antiguerra e de agradecimento ao presidente Lula pelos esforços diplomáticos para trazer as pessoas do Líbano.Segundo relataram os passageiros, o clima no Líbano é de medo. As cenas presenciadas por eles são dignas de filmes de terror: corpos nas ruas (de crianças inclusive), bombardeios a toda hora e edifícios destruídos. Para sair do país, eles lotaram um ônibus que foi escoltado pelo Exército do Líbano até a fronteira com a Síria. De lá, o veículo seguiu para a Turquia, onde os passageiros foram embarcados em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para Recife - um Boing 707 apelidado de "Sucatão". A viagem de ônibus durou aproximadamente 18 horas.ReclamaçõesA reclamação geral no aeroporto era em relação à ineficiência do consulado brasileiro de Beirute. Segundo informaram os passageiros, muitas pessoas permanecem no Líbano e não conseguiram pegar o ônibus que os levaram até a Turquia.Um dos que não conseguiram retornar é o libanês naturalizado brasileiro Samer Zakariya Refahi, que foi ao Líbano acompanhado das duas filhas para visitar familiares. Segundo sua esposa, Rosemari Cordeiro Silva, ele não conseguiu lugar no ônibus, mas pôde embarcar as meninas, filhas de seu primeiro casamento. "Estou aflita. A gente fica sem saber o que vai acontecer", resumiu Rosemari. Depois de deixar o aeroporto de Adana, na Turquia, o Sucatão aterrissou por vola das 12h40 no Aeroporto Internacional dos Guararapes, no Recife, para abastecimento. Segundo a Infraero, nenhum dos passageiros ficou na cidade. AmorimSobre a situação dos brasileiros que necessitam de ajuda para deixar o Líbano, o Chanceler Celso Amorim informou que os governos americano e canadense ofereceram transporte em seus barcos e aviões para retirar aqueles que ainda não conseguiram deixar o país.O chanceler reconheceu que é grande o número de brasileiros na região, sendo que em algumas cidades o português é a segunda língua mais falada. Estima-se que cerca de 70 mil brasileiros vivam no Líbano. Amorim afirmou que está avaliando as propostas do Canadá e Estados Unidos e que o consulado brasileiro em Beirute continuará a tentar ajudar os brasileiros a saírem do Líbano. "Estamos fazendo o possível", disse Amorim.Adriana Carranca, Angela Lacerda, Jamil ChadeMatéria ampliada às 19h48

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