Brasileiros que haviam embarcado para Tóquio retornam

Depois de 34 horas de angústia dentro de um avião, os brasileiros que haviam embarcado para Tóquio, com escala em Los Angeles, à 0h30 desta terça-feira, retornaram ao Brasil na manhã desta quarta. Os 102 passageiros, que desembarcaram nos Aeroportos Internacionais do Rio, o Galeão, e de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos, na Grande São paulo, passaram medo e fome.O primeiro avião chegou a São Paulo às 9h50. Cansados, os passageiros falaram dos momentos de tensão e insegurança, após o comunicado do ataque aos Estados Unidos. O engenheiro Kleber Lima, de 27 anos, que ia para Tóquio a trabalho, afirmou que os passageiros ficaram nervosos ao saber do desvio."O comandante falou que estava fazendo aquilo por motivo de segurança nacional nos Estados Unidos." Ele relata, entretanto, que o mais desgastante foi aguardar no avião. "Ficamos por mais de 12 horas sem comer e não havia como fazer contato com ninguém."Eles foram obrigados a desviar o curso, a poucas horas de Los Angeles, na direção de Tijuana, no México. No local, não havia mais vagas nos hotéis. Ao todo, eram 186 pessoas no vôo 99.283 da Varig. Dessas, 84 seguiram de carro para os Estados Unidos. Os demais tiveram de esperar dentro do avião a liberação para seguir viagem.Muito assustada, a passageira Rita Lima de Souza, de 34 anos, desembarcou com o filho, Pedro, de 1 ano e 8 meses, pela manhã. "Eu só pensava em Deus o tempo todo." Ela disse que, por várias vezes, sentiu estar vivendo um filme de terror. Segundo ela, ninguém sabia o que estava acontecendo. "Acabou a comida e não havia nem leite para as crianças."Alguns passageiros afirmaram que, após seis horas parados em Tijuana, a água também começou a ser racionada. A assessoria de imprensa da Varig negou que tivesse faltado comida ou água para os passageiros em qualquer dos vôos desviados.A pedagoga Cristina Rocha sentiu-se aliviada ao chegar ao Brasil. Ela acompanhava o marido - que foi a trabalho para Tóquio. "Pensei estar no meio de uma guerra. Só mantive a calma para falar com meus filhos."No aeroporto, alguns parentes aguardavam a chegada do avião. A estudante Luciana Fernandes de Almeida, mulher do jogador de futebol do time do São Caetano Wagner, estava apreensiva. Desde que ele deixou o País, no vôo desta terça, não fez contato com a família. Ela perdeu a conta das vezes que telefonou para a empresa aérea. "Apesar da minha fé, só pensava no pior."Quando chegou, Wagner abraçou e beijou a mulher. "Graças a Deus, estou de volta." Ele relatou que, depois do desvio, a viagem tornou-se incerta. "Não sabíamos o que estava acontecendo." Apesar do medo, o jogador disse que pegará o próximo vôo para Tóquio - independentemente de escala nos Estados Unidos. Ele foi contratado por um time do Japão - onde ficará morando.O segundo vôo vindo do México chegou a Cumbica às 14 horas. O avião, que saiu de Cumbica às 22h50 de segunda-feira, com destino a Los Angeles, também foi desviado. Os 128 passageiros, apesar do transtorno, pareciam mais tranqüilos. Eles ficaram em hotéis em Acapulco.A comissária de bordo Silvanea Faria da Silva, de 38 anos, afirmou que ninguém sabia ao certo o motivo do desvio. "O comandante manteve todos calmos e só ficamos sabendo do ataque em terra."Para a professora Marta Goulart, de 42 anos, que estava com a filha Bruna, de 8, o problema é maior. Ela mora em Los Angeles há 17 anos. "Sinto que esse fato é o passaporte para minha volta ao Brasil." A professora acredita que, depois do ataque aos Estados Unidos, a insegurança prevalecerá entre os moradores. "Não sabemos o que poderá acontecer daqui para frente."

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