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Brasileiros que vivem em Utah preferem candidata democrata

Maioria não tem situação regularizada, por isso teme a política anti-imigração do candidato republicano

CLÁUDIA TREVISAN, ENVIADA ESPECIAL / SALT LAKE CITY, UTAH, O Estado de S. Paulo

30 de outubro de 2016 | 05h00

SALT LAKE CITY, UTAH - Brasileiros, gays e moradores de Salt Lake City, Camila Gadêlha e Eddie Belini estão em campos opostos na disputa presidencial americana: ela é uma enfática defensora do republicano Donald Trump, enquanto ele trabalha como voluntário da campanha da democrata Hillary Clinton.

Na quarta-feira, Belini passou quatro horas no comitê de campanha da ex-secretária de Estado ligando para uma relação de mais de cem eleitores. Sua missão era se certificar de que eles haviam recebido as cédulas de votação pelo correio e lembrá-los de que o prazo para enviá-las termina no dia 1.º – na maioria dos condados de Utah, todos os eleitores terão a possibilidade de votar pelo correio.

A própria existência de comitês de campanha de Hillary no Estado revela o caráter inusitado da atual disputa presidencial. “Utah era um Estado que os candidatos sobrevoavam”, disse Courtney McBeth, diretora-associada do Instituto Hinkcley de Política, da Universidade de Utah. “Agora, Hillary está colocando recursos e tropas aqui para tentar capturar o eleitorado.”

Os republicanos também estão se mobilizando com o objetivo de garantir sua supremacia de cinco décadas no Estado. Na quarta-feira, o candidato a vice de Trump, Mike Pence, esteve em Utah para dizer aos republicanos que este não é o momento para voto de protesto.

Se depender de Gadêlha, ele será ouvido. A brasileira disse que simpatizava com Trump desde o início da campanha, mas sua posição foi cimentada com o ataque à casa noturna gay Pulse, em Orlando, em 12 de junho. O ataque, que deixou 49 mortos, foi cometido por Omar Mateen, um americano filho de imigrantes afegãos. “Todo mundo sabe que os muçulmanos odeiam mulheres e gays e Trump é o único que vai impedir que eles continuem a entrar no país”, afirmou Gadêlha, que quer tirar seu título de eleitor no Brasil para votar em Jair Bolsonaro. 

Sua posição, porém, parece ser minoritária na comunidade brasileira em Utah, formada em grande parte por imigrantes que vivem no país de maneira irregular. “Se pudessem votar, a maioria dos brasileiros votaria em Hillary, pela retórica contra os imigrantes de Trump”, disse Reinaldo Drogueti, dono de um restaurante brasileiro em Salt Lake City. Mórmon desde 1969, quando tinha 17 anos, Drogueti se mudou para Utah em 2001 com a mulher e os quatro filhos.

“Farei o que puder para influenciar o resultado da eleição”, disse o cabeleireiro Belini, que vive há 21 anos em Salt Lake City e ainda tem esperança de obter sua cidadania a tempo de votar no dia 8. Em sua opinião, o que está em jogo é a “alma do país”.

 

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