Brasileiros que vivem nos EUA querem voltar

"Prefiro morrer pobre no meu país do que ganhar dinheiro aqui e viver nesta tensão". Foi este o argumento usado por um paranaense que, junto com a esposa, procurou a agência de turismo Maggie´s Travel em desespero, tentando obter uma passagem para deixar os EUA ainda ontem, em meio ao noticiário dos ataques terroristas em Nova York e Washington.Como eles, também procuraram a agência duas outras pessoas de Minas Gerais, e dois equatorianos, apavorados com o que poderia acontecer com o desdobramento dos atentados que já se conheciam."Algumas pessoas ficaram muito tensas com a situação e já pensam em voltar para o Brasil", disse o agente de turismo Renato Costa. Ele mesmo escapou por pouco de passar pelo World Trade Center (WTC) no momento em que ocorreram os atentados.Morador de Nova York, Renato tomava o trem para Newark no World Trade Center diariamente. "Eram 8h45, eu ia pegar o trem que sai do World Trade Center, que é mais confortável e mais limpo. Mas, como estava um pouco atrasado, acabei pegando o outro trem, da Rua 33, que não passa embaixo das torres gêmeas", disse Renato.Em outra agência de viagens, a Vigo, foi grande o movimento de pessoas querendo obter informações sobre o cancelamento dos vôos e o fechamento dos aeroportos, segundo a agente de viagens Patrícia Pereira. Uma uruguaia comprou um bilhete para Montevidéu, mas fez uma exigência: que não fosse por companhia aérea americana. Fez uma reserva pela Varig para a segunda-feira. A goiana Magda Dutra, depois de já ter escapado ilesa - mas muito traumatizada - de um terremoto este ano, não imaginava que tão cedo viveria novos momentos de forte emoção, desta vez nos EUA. "Eu tomava esse trem todos os dias, já reconhecia algumas pessoas que costumavam tomar o trem no mesmo horário", diz Magda, que mora nos Estados Unidos há 15 anos, referindo-se ao PATH que liga Newark ao World Trade Center.Ainda nas galerias do WTC, Magda comprou produtos de limpeza e seguiu para o trabalho. Tomou um dos últimos metrôs que saíram da estação antes de ser fechada. Quando chegou ao trabalho, sua patroa a abraçou e chorou. Sem saber do que se tratava, Magda viu pela TV as cenas dos ataques terroristas que destruíram o WTC, por onde havia passado minutos antes, como fazia todos os dias no caminho do trabalho.Assustada, Magda procurou uma igreja. "Eu aprendi que nas grandes tragédias, o lugar mais seguro é a igreja, pois é um lugar que ninguém ataca e que está sempre aberto para receber qualquer um que precisar". No caminho de volta para casa, tudo fechado. "Os bancos as lojas, até o McDonalds fechou, a gente não encontrava uma água para comprar".Natural de Goiânia, Magda Dutra tem um filho que mora em Cochabamba, na Bolívia. Ao visitá-lo, em julho passado, a cidade foi abalada por um terremoto de 5,4 na escala Richter. O filho mais novo mora em Goiânia.

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